Braga recebe nova geração de médicos de olho na reforma da carreira

A secretária de Estado da Saúde garantiu, esta segunda-feira, aos novos médicos internos que a revisão do Regime Jurídico do Internato Médico e a informatização dos sistemas de gestão são compromissos políticos do governo de Luís Montenegro.
Ana Povo participou na cerimónia oficial de Abertura do Ano Médico 2026, que decorreu no Hospital de Braga.
Perante os novos médicos internos desta unidade de saúde, a governante deixou o compromisso “político deste governo e, em particular, do ministério da Saúde” da “revisão do Regime Jurídico do Internato Médico” a todos os jovens profissionais. A secretária de Estado da Saúde defendeu, igualmente, que as condições para um bom internato médico não se prendem “a robustos documentos legislativos”, apelando aos médicos que cumpram o dever de ensinar os jovens. “As condições criadas dentro dos serviços, de que muitas vezes muito pouco dependem de políticas públicas, são também fatores fundamentais para a captação de futuros especialistas”, referiu.







Por outro lado, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, alertou que internato médico é exatamente o mesmo ou praticamente o mesmo há décadas e defendeu que “algo está errado”. Referiu que Portugal não tem aproveitado a oportunidade “que é dada” de receber os novos profissionais todos os anos.
Carlos Cortes acrescentou que o grande desafio que o país tem hoje, “mais do que qualquer outro, é saber criar condições de atração no Serviço Nacional de Saúde para reter todos estes talentos”. Sublinhou que muitos destes profissionais acabam em outros setores, para a imigração e alguns, “infelizmente, desanimados, acabam por deixar a profissão médica de lado”.
Já Álvaro Almeida, diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde considerou que a dificuldade encontrada no SNS em atrair e manter profissionais é um “desafio constante de todos os responsáveis por sistemas de saúde, pelo menos em toda a Europa” e destacou que o governo tem procurado “melhorar as condições de exercício da profissão”.
Ao comentar a devolução do Presidente da República, sem promulgação, de três diplomas com que o Governo queria avançar este ano, o responsável lamentou e disse que “esta devolução atrasa a implementação do plano”, mas afirmou que pode ser uma oportunidade “para aperfeiçoar e melhorar esses planos” com alterações de fundo na área da Saúde.
Em Braga, são 155 os médicos que começam o internato, distribuídos, no total, por 29 especialidades.
O presidente do Conselho de Administração da ULS de Braga, Américo Afonso, aponta ser essencial este trabalho para atrair novos profissionais para a unidade hospitalar. Ressaltou que o impacto de receber estes futuros profissionais faz parte do esforço da unidade hospitalar em captar novos profissionais para conhecerem no dia a dia a realidade da ULS e depois continuarem. Acrecentou que acolher a Abertura do Ano Médico 2026 demonstra a “relevância a nível nacional” da ULS de Braga” e que não houve vagas sobrantes nas especialidades disponibilizadas.
