Braga aprova maior orçamento de sempre com críticas da oposição à taxa de execução

A Assembleia Municipal de Braga aprovou o plano e orçamento do município para o ano de 2026, numa reunião extraordinária realizada na passada sexta-feira. O documento consagra o maior orçamento de sempre da autarquia, ultrapassando os 285 milhões de euros.
O orçamento foi viabilizado com 44 votos a favor, provenientes dos presidentes de Junta independentes, CDS, PPM e PSD. Registaram-se 23 abstenções, do Partido Socialista (PS), Iniciativa Liberal (IL) e Amar e Servir Braga (ASB), e seis votos contra, do Chega e da Coligação Democrática Unitária (CDU).
Segundo o presidente da Câmara, João Rodrigues, o plano foi pensado como um instrumento de ação concreta, focado em prioridades claras e no rigor da gestão, visando um impacto direto na vida dos cidadãos.
“Governar bem é sempre saber escolher, calendarizar, executar e prestar contas. Este é um orçamento feito para ser cumprido. O que propomos não é um catálogo de intenções. É um programa de ação com prioridades claras, capacidade real de execução e um compromisso assumido perante esta Assembleia [Municipal].”
João Rodrigues
Coligação destaca investimento e responsabilidade
As forças que suportam o executivo elogiaram as opções estratégicas apresentadas. Carlos Neves, do Partido Popular (CDS-PP), sublinhou que alcançar o recorde de 285 milhões de euros “não é um troféu, mas uma responsabilidade”, antecipando uma câmara mais exigente e eficaz.
“Estamos também perante o maior volume de investimento municipal de sempre. Mas, importa dizê-lo com clareza, este recorde não é um troféu, é uma responsabilidade. É a obrigação de transformar capacidade financeira em impacto no quotidiano da vida dos bracarenses.”
Carlos Neves
Pelo Partido Popular Monárquico (PPM), Pedro Borges de Macedo realçou a aposta na melhoria da qualidade de vida dos bracarenses, com fortes investimentos na saúde, transportes e cultura.
“A intenção foi clara e objetiva. Ninguém pode ficar para trás e a prioridade é a melhoria da qualidade de vida dos munícipes no seu global.”
Pedro Borges de Macedo
Oposição alerta para dependência externa e falta de execução
Apesar da aprovação, os partidos da oposição deixaram vários avisos , focando-se na dependência de financiamento externo e na capacidade real de concretizar as obras previstas.
A Iniciativa Liberal demonstrou preocupação com a crescente dependência da economia local face ao erário público , criticando o aumento expressivo da despesa ao longo dos últimos anos.
“Em poucos anos, conseguiu triplicar o orçamento do primeiro mandato de Ricardo Rio. Diria o PSD que o orçamento aumentou devido à transferência de competências. É verdade, mas não explica o aumento de 200 milhões.”
Mário Queirós
O Amar e Servir Braga recordou a taxa de execução de 82% registada em 2025, acusando a autarquia de fazer um “exercício de marketing e não de gestão” ao apresentar valores que não chegam a ser totalmente aplicados.
“Apresentar um orçamento de 275 milhões para depois executar apenas 230 é um exercício de marketing, não é um ato de gestão. É prometer 5 e entregar 4.”
João Miguel Fernandes
O Partido Socialista alertou para a forte dependência do orçamento face aos fundos externos, sublinhando que cerca de 90% da despesa de capital resulta de transferências do PRR e do Portugal 2030.
“A despesa subiu de 141 para 165. 24 milhões de euros assim repartidos: com despesas como pessoal, sobe sete milhões de euros, ou seja, 12,5%. Sobe depois 9,5 milhões para aquisição de serviços, o que corresponde a 23%. E sobe também sete milhões de euros para transferências correntes, correspondente a 17%.”
João Nogueira
Votos contra apontam falhas na habitação e na sustentabilidade
O Chega deixou claro que a aprovação de um maior orçamento não garante, por si só, uma melhor gestão, afirmando que “mais despesa não é igual a mais eficiência”. A deputada Rita Fernandes exigiu uma avaliação rigorosa da capacidade real de execução.
“Numa análise financeira rigorosa, a dimensão do orçamento não constitui, por si só, um indicador de qualidade da gestão. O elemento central deve ser a sua sustentabilidade.”
Rita Fernandes
A CDU justificou o voto contra acusando a autarquia de não investir na construção de habitação pública, denunciando que o orçamento prevê “zero euros” para esse objetivo, o que mantém a população dependente do mercado imobiliário.
“Já no plano para 2026, a opção política assumida é muito clara, zero euros para a construção de habitação pública e um orçamento que se resume à política habitacional do município, a parcos, apoios às rendas…”
Sandra Cardoso
O documento, que estabelece as grandes opções do plano para 2026, segue agora para a fase de execução no terreno.
