Bio-MedTech Hub vai tornar Braga num “polo de excelência nas ciências da vida e da saúde”

Está apresentado o edifício do Bio-Medtech Hub, o mais recente centro de investigação aplicada, inovação e incubação de startups tecnológicas nos domínios da saúde, bioengenharia e biotecnologia de Braga que ganhará forma no espaço contíguo ao Forum Braga nos próximos dois anos.
Com pouco mais de 5 mil metros quadrados distribuídos por três pisos, este será um espaço preparado para o apoio à investigação e desenvolvimento e à experimentação tecnológica, possibilitando também a incubação, aceleração e scale-up de startups tecnológicas.
Durante a apresentação do projeto arquitetónico, que decorreu esta quarta-feira no Forum Braga, Luís Rodrigues, administrador executivo da InvestBraga, admitiu que a estrutura pretende ser, acima de tudo, “um centro de valorização e transferência de tecnologia, onde a inovação ganha tração”.
Aproximando a academia do setor clínico e das empresas, o Bio-Medtech Hub tem ainda como objetivo “transformar conhecimento em soluções concretas” que tenham “impacto real na vida das pessoas” mas, também, que afirmem Braga como “um polo de excelência nas ciências da vida e da saúde”.
Há 12 anos atrás não existia esta falha de mercado, não existiam estas necessidades e, portanto, se elas hoje existem obviamente que também é um bom problema. Provavelmente já devíamos ter conseguido colmatar esta falha de mercado há mais tempo, mas é sempre uma boa hora para recebermos ou para fazermos um investimento infraestrutural desta natureza”
Para isso, a estrutura contará com mais de duas dezenas de espaços de reunião, entre salas, escritórios e um auditório com capacidade para 150 pessoas, e 22 espaços laboratoriais incluindo quatro laboratórios especializados em Microscopia, Microbiologia, Biologia Molecular e Cultura Celular.
Uma estrutura que Luís Rodrigues acredita suprir a necessidade das empresas da região.
“Ainda antes dele se chamar Bio-MedTech Hub, este edifício nasce da voz e das dores dos empreendedores, das startups, que no seu processo de validação tecnológica e laboratorial estão órfãs de um espaço de escala, de scale-up das suas soluções, das suas tecnologias, dos seus dispositivos e até mesmo também de incubação”.
Mas as valências do Bio-MedTech Hub não se “esgotam na infraestrutura”, sublinha o administrador
À RUM, Luís Rodrigues assinalou a ambição de tornar este projeto num “catalisador para a criação de um verdadeiro ecossistema”, não só nas áreas a que a estrutura se dedica, mas a tantas outras que também contribuíram para a cidade receber o título de ‘Rising Innovative City’ pela Comissão Europeia, em 2025. “Uma das duas cidades a nível europeu a ser nomeada”, relembrou.
Dando como exemplo o caso da Bosch, que em duas décadas “passou de uma unidade de manufatura para uma onde predomina a investigação, o desenvolvimento, a tecnologia e até a criação de novos produtos”, Luís Rodrigues acredita que o Bio-MedTech Hub pode ser também este centro que atraia algumas empresas-âncora que criem, de certa forma, um efeito de arrastamento ou um efeito positivo na economia.
Além de espaços físicos, o Bio-MedTech Hub disponibilizará serviços técnicos e especializados, tais como o acesso a equipamentos avançados, o acompanhamento técnico em regulamentação, certificação, propriedade intelectual, I&D laboratorial e prototipagem, a ligação a redes internacionais de conhecimento, ensaios clínicos e investigação aplicada e a interação direta com investidores e entidades do setor das ciências da vida e da saúde.
Não só para dar suporte efetivo às empresas mas também para integrar nesta malha as parcerias resultantes dos consórcios com a Universidade do Minho, o Centro Clínico Académico de Braga (2CA), o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), o IPCA, o CCG/ZGDV, a P-BIO e várias empresas de base tecnológica e conhecimento intensivo.
“Pretende afirmar-se como uma plataforma de interface entre academia, centros de investigação e desenvolvimento, centros tecnológicos e de inovação, empresas, startups, scale-ups, indústria no geral e portanto, ir promovendo aqui espaços de co-criação em que possam ser instalados também, não apenas empresas, mas pequenos núcleos operacionais de estruturas como o 2CA, o Centro de Computação Gráfica, a Universidade do Minho, através de centros de investigação como o Instituto para as Ciências da Vida e da Saúde”
Mais de 20 empresas já manifestaram formalmente interesse em integrar o Hub como residentes. Entre elas destacam-se a RUBYnanomed, PeekMed, BestHealth4U e AI4MedImaging, quatro das 16 empresas portuguesas já financiadas pelo EIC Accelerator, programa da Comissão Europeia que apoia startups inovadoras com forte potencial de impacto global.
Segundo Luís Rodrigues, são várias as tipologias de empresas já no processo de adesão ao Hub. De startups já estabelecidas a empresas tecnológicas mais emergentes que veem esta oportunidade como o ponto de partida para a incubação ou até para o primeiro contacto com a indústria, para colaborarem com centros de investigação e terem acesso a investidores.
Edifício sustentável e em harmonia com o ambiente circundante
Com um custo total de cerca de 7 milhões de euros, dos quais 65% serão financiados por fundos comunitários e 35% assegurados pelo Município de Braga, o Bio-MedTech Hub, cujo projeto é assinado pelo estúdio portuense VHM, erguer-se-á junto no espaço contíguo ao Forum Braga e ao Parque de Exposições de Braga.
De forma a aproveitar os mais de dois mil metros quadrados de espaço amplo e verde disponíveis, mas ainda assim respeitando os princípios da sustentabilidade e da harmonia paisagística, o edifício contará com três pisos totalmente integrados no ambiente circundante.
Para além disso, o desenho final do edifício tem em conta mais dois propósitos: a representação fidedigna das áreas a que se dedica – a tecnologia, a biotecnologia e a engenharia biomédica – bem como a imagem de este ser um edifício “onde as pessoas se sintam bem para partilhar informações”.
Esta é, aliás, a primeira premissa que suporta todo o conceito do edifício, como apontou Vasco Saldanha, arquiteto responsável pelo projeto durante a apresentação.
Do espaço exterior coberto às múltiplas entradas, passando pelos espaços abertos multifuncionais e espaços privados integrados, o edifício imprime em todos os lugares a importância do “contacto e da transferências de conhecimento”.
Além disso, o espaço verde invade o edifício, trazendo “uma forma diferente de viver o espaço”, quer seja através dos grandes envidraçados quer seja através do jardim interior.
Por sua vez, a sustentabilidade, além de integrada em vários aspetos do edifício, preenche também a fachada, que se constrói sob o efeito de “moléculas que se encaixavam umas nas outras”, completando não só o objetivo simbólico de representar as áreas mas também facilitando a ventilação e a eficiência energética no edifício.
Conclusão prevista para 2028
De acordo com as previsões lançadas por Luís Rodrigues, as obras devem começar no fim deste ano e o edifício deverá entrar em funcionamento em 2028.
Dois longos anos de espera que Luís Rodrigues acredita ser um bom tempo para a incubação do interesse das empresas já estabelecidas e uma oportunidade para mais pequenas, ou aquelas que ainda não existem, se tornarem potenciais beneficiários.






