BE questiona governo sobre plano de emergência para setores do têxtil, do calçado e vestuário

O Bloco de Esquerda (BE) está preocupado com a “pandemia de despedimentos” que está a afetar os setores têxtil, do calçado e vestuário e que assolam, nos últimos meses, a região Norte. O deputado bloquista Fabian Figueiredo questionou formalmente o Governo sobre a implementação de um possível plano de emergência que revitalize o setor e salvaguarde os postos de trabalho.
Esta questão é particularmente relevante para o distrito de Braga que, nos últimos meses, viu empresas, algumas delas referências nacionais, a fechar. Só em Guimarães, nos últimos meses, a ‘StampDyeing’, a ‘Coelima’, a ‘Darita’, a ‘Bravisublime’ e a ‘Confiberica’ fecharam portas, atirando para o desemprego mais de 600 trabalhadores.
O mesmo aconteceu no setor têxtil dirigido ao setor automóvel, de que é exemplo a empresa Coindu, que entre 2024 e 2025 despediu mais de metade dos seus trabalhadores e recorreu ao regime de lay-off para uma parte daqueles que se mantiveram a trabalhar.
Atento a estes números, Fabian Figueiredo, deputado do BE na Assembleia da República, questionou formalmente o Governo relativamente à existência de apoios dirigidos a estes setores e à região, bem como a possibilidade de implementação de um plano de emergência.
Nas palavras do deputado, o Governo precisa de “acordar para este problema” e entendê-lo como uma “questão existencial” não só para a região, mas também para a economia portuguesa e, sobretudo, para os trabalhadores, cujos “milhares de postos de trabalho dependem destas empresas”.
“O Governo não pode olhar passivamente para o encerramento destas empresas, fecha uma atrás da outra, milhares de pessoas sem emprego, sem futuro, e este é um setor onde se tem que investir”, diz.
Além disso, estes são setores, “onde há inovação incorporada e décadas de investimento público e privado”, que deviam ser salvaguardados. Para tal, o deputado acredita que é necessário um plano de emergência que “aguente o setor, segure os postos de trabalho e discuta com os agentes económicos, trabalhadores, empresários, autarquias e a sociedade civil como é que se resiste a este ciclo de destruição de valor”.
De acordo com o bloquista também é preciso questionar que ações estão a ser tomadas: “O investimento público está a ser bem direcionado? Há estímulos positivos para a inovação, para o setor têxtil, para o calçado, para o vestuário se diferenciar no mercado crescentemente concorrencial?”
Anteprojeto de reforma laboral dá os “sinais e estímulos errados”
Se na região Norte, o quadro de despedimentos é alarmante, no panorama nacional a questão é elevada a outros níveis. De acordo com os dados divulgados pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), até novembro de 2025, 515 despedimentos coletivos foram comunicados, totalizando um aumento de cerca de 16% face ao período homólogo de 2024. Numa lista liderada por Lisboa e Vale do Tejo, o Norte é a segunda região com o maior registo de despedimentos coletivos – são 156.
Um contexto que Fabian Figueiredo acredita que o Governo não tem conhecimento tendo em conta o anteprojeto de reforma laboral que, o deputado acusa de “dar o sinal e os estímulos errados” ao setor e ao país. “Este pacote cria a perceção, junto dos agentes económicos, de que os trabalhadores podem ser descartáveis, que se podem eternizar os contratos a prazo, em detrimento da formação, da qualificação da empresa”, diz.
Na opinião do bloquista, a solução passa por reunir com os agentes económicos, “fazer um balanço” e “disponibilizar os meios do Estado” para a revitalização do setor, que deve envolver as universidade “para garantir que há um processo de modernização”.
Tendo em conta a “prática governativa” da administração atual, que não deixa espaço para que se “iluda”, Fabian Figueiredo admite estar disponível para se “surpreender”.
