Assembleia Municipal aprova PDM. “Braga e os bracarenses ganham com esta decisão”, diz autarca

O Estado vai investir 300 milhões de euros, num túnel para a Alta Velocidade, visando proteger algumas freguesias do concelho de Braga.
A informação foi partilhada pelo presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, na última Assembleia Municipal. O Plano Diretor Municipal foi aprovado pelos deputados municipais, com 38 votos a favor, de PSD, CDS-PP, Chega e PPM e presidentes de Junta, 32 abstenções de PS, Amar e Servir Braga, IL bem como autarcas locais, e o voto contra da CDU, de uma deputada do PS e do presidente da Junta de Adaúfe.
Governo prepara investimento de 300ME em túnel para Alta Velocidade
“A cidade vai passar a ter um plano que prepara a cidade para os próximos anos. A via ferroviária prevista para a alta velocidade é uma via nova que tem especificidades. Conseguimos que o Estado central se comprometesse a fazer um investimento de um túnel que vai custar aos cofres do Estado mais de 300 milhões de euros para não estragar freguesias como Aveleda, como Fradelos, como Celeirós, como Ferreiros, como Sequeira, como Gondizalves”, detalhou o autarca social democrata.
Segundo João Rodrigues, a estação de Alta Velocidade não consta formalmente no PDM, por questões jurídicas. “As infraestruturas que incluímos na programação do Plano Diretor Municipal têm que vir previstas na planta de programação, têm que ter previsibilidade económica ou financeira e têm que cumprir critérios de sustentabilidade. Nós temos de dizer onde é que nos financiamos e onde é que vamos aplicar essa verba. Ora, como o Estado ainda não fechou ‘ipsis verbis’ o sítio da estação, embora nós saibamos num raio minimamente aproximado onde é que ela vai ficar, ela não consta do plano apenas e só por isso”, detalhou.
Além disso, Rodrigues diz que “está previsto também que aquela área vai ser sujeita a um plano de urbanização”.
Sobre as novas vias previstas, o presidente da Câmara apontou quatro: “A ligação entre Nova Arcada e a E.N. 101 (variante de Ferreiros), que já foi feita, e entre a E.N. 101 e o nó de Ferreiros junto ao Leclerc, que é conhecida por Variante do Cávado; a criação da Variante do Este, que é a variante que vai do Nova Arcada, passa pelo Parque Industrial de Pitancinhos, Parque Industrial da Adaúfe, Parque Industrial de Navarra e vai dar ao início da estrada nacional que liga à Póvoa de Lanhoso, a Variante do Nordeste, que é uma variante que sai da Variante Este e que faz a ligação à Ponte do Porto, e uma via que sai da Variante do Estádio, que passa pela Confeiteira”.
“Os 120 hectares de construção na Confeiteira vão servir, entre muitas outras coisas, para que aqueles privados que vão passar a ter 120 hectares de construção paguem a parte da variante na zona de Montariol até a Gualtar, evitando o caminho anterior que fazia com que aquela via passasse pelo meio das Sete Fontes”, apontou ainda.
João Rodrigues adiantou também que “já está a ser negociado com o ministério das Infraestruturas, a abertura do antigo nó da A3 junto a Celeirós”.
Segundo o líder do executivo, o novo PDM prevê um aumento global de cerca de 30% na capacidade de ocupação. “Este crescimento divide-se em 44,7% para atividades económicas e 24,9% para espaços residenciais”, especificou.
Para João Rodrigues, “o PDM aprovado é uma vantagem para Braga, porque dá previsibilidade, aumenta a capacidade de resposta na habitação, cria instrumentos para habitação acessível, melhora a qualidade do que se constrói, reforça a competitividade económica, melhora a eficiência administrativa, organiza a relação entre crescimento e mobilidade, protege recursos, protege o património e reforça a coesão territorial”. “Braga precisava desta decisão e, mais importante, Braga e os bracarenses ganham com esta decisão”, disse ainda.
Vereadoras da CDU e PS votam contra
Sandra Cardoso, deputada eleita pela CDU, votou contra esta revisão do PDM, por considerar que “Braga necessita de uma política que promova a harmonia entre o desenvolvimento económico, o crescimento populacional e a qualidade de vida dos que aqui vivem e trabalham”. A comunista diz que esta é uma “política que continua a promover a desqualificação do espaço público, com betão em todos os recantos disponíveis, e a sua entrega a privados, sem que existam quaisquer mecanismos de compensação às populações”.
Vera Rodrigues, do PS, lamenta que o atual documento “ignore as preocupações dos cidadãos e favorece interesses particulares”. “Os cidadãos de Vimieiro, Aveleda e Celeirós solicitaram a revisão do PDM para o seu território para adequação às reais necessidades da população e apontam o desequilíbrio das áreas de construção”, frisou.
Aprovado pela maioria dos deputados municipais, o documento segue, agora, para Diário da República.
