Arte, Tecnologia e Poder. A terceira edição da bienal INDEX arranca em Braga

Decorre entre os dias 7 e 17 de maio, com espetáculo, conferências e exposições.
Palavras durante a apresentação da Index 2026.

Já arrancou a bienal INDEX 2026, uma iniciativa da Braga Media Arts que, entre os dias 7 e 17 de maio, transforma Braga num palco de reflexão sobre a relação entre a Arte e a Tecnologia. Sob a chancela do ‘Poder’, esta terceira edição ocupa espaços emblemáticos como o Theatro Circo, o gnration e o Mosteiro de Tibães, chegando pela primeira vez ao Forum Arte Braga e ao Muzeu.

A coordenadora geral e executiva, Joana Miranda, explicou que a temática deste ano funciona como o motor das escolhas artísticas, para “tentar perceber como é que o poder se está a tornar cada vez mais invisível”, um fenómeno que, segundo a responsável, vai “alienando cada vez mais do real e das decisões que depois têm impacto muito grande sobre a nossa vida”.

Sublinha ainda que “a tecnologia não é neutra” e, por isso, a bienal assume a missão de pensar o seu impacto através da arte.

A estratégia de descentralização do evento visa precisamente implicar a cidade e os seus habitantes através de parcerias sólidas. Joana Miranda explica que a presença em locais como o Forum Arte Braga ou o Mosteiro de Tibães demonstra que a inovação e o património fazem parte de um mesmo “contínuo”.

Esta pluralidade de espaços permite acolher artistas do mundo inteiro que, através das suas diferentes vivências, “raças e géneros”, conseguem “pensar o poder de forma diferente”.

O diretor artístico, Luís Fernandes, reforça que esta edição dá continuidade a uma “senda política” que já abordou temas sensíveis como a mineração de lítio em Montalegre. Para Fernandes, a problematização da relação entre poder e tecnologia é “absolutamente incontornável”, uma vez que as ferramentas digitais têm “redefinido o que é que significa poder nos dias de hoje”.

Esta visão é materializada através de parcerias com galerias como o Forum Arte Braga, permitindo elevar as práticas contemporâneas ao centro da atenção pública.


Entre os destaques, o responsável aponta a duas séries de conferências agrupadas aos fins de semana, com a australiana Mckenzie Wark, a inglesa Georgina Voss, o francês Nicolas Maigret, este sábado e domingo. No segundo fim de semana, “talvez o maior filósofo português vivo”, José Gil, mas também o filósofo francês Yves Citton.

Nos concertos, Luís Fernandes destaca os Forensis, uma divisão do Forensic Architecture e que estarão em palco com o músico Bill Kouligas. Outra estreia do espetáculo que junta os Supersilent com o artista libanês Lawrence Abu Hamdan e o coreógrafo francês Arkadi Zaides. “Acabámos também com uma encomenda ao coletivo português Zabra e terminamos em modo festa com Nídia e Valentina”, remata.


Nuno Gouveia, administrador Executivo da Faz Cultura, aponta o INDEX como um “projeto estratégico” e o “programa charneira” da Braga Media Arts. O evento é fruto de um investimento direto do município para valorizar não só o panorama artístico local, mas também para projetar Portugal no cenário cultural internacional através da rede de cidades criativas da UNESCO.

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Marcelo Hermsdorf
Marcelo Hermsdorf

Jornalista na RUM

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