Apoio de 375 mil euros ao Festival Square aprovado pela AM de Braga com críticas do Chega e PS

A aprovação do apoio municipal de 375 mil euros para a realização do Festival Square colocou a herança da Braga 25 – Capital Portuguesa da Cultura, no centro do debate político na passada sexta-feira em sede de reunião da Assembleia Municipal de Braga.
O investimento público na iniciativa que regressa à cidade em 2027 mereceu críticas por parte da oposição, que questiona o retorno prático do evento. Destinada a ligar Braga aos vários países do espaço atlântico e a criar oportunidades para os criadores locais através de uma plataforma internacional de circulação artística, o apoio à realização do festival foi aprovado por 32 votos a favor (PSD, CDS-PP, PPM, Amar e Servir Braga e presidentes de Junta), com 31 abstenções (PS, CDU, Iniciativa Liberal e presidentes de Junta) e contrários dos quatro deputados municipais do Chega.
A deputada municipal do partido, Mónica Lopes, manifestou uma oposição contrária à atribuição deste apoio financeiro, sustentando a sua crítica nos dados oficiais do Relatório de Atividades e Contas de 2025 da Faz Cultura. A eleita pelo Chega apontou ainda que foram 516 bilhetes pagos, num festival “que hoje se propõe que seja financiado em 365 mil euros”.
Mónica Lopes fez as contar e apontou que o investimento representa uma “quantia de 707 euros em subsidiação municipal por cada bilhete vendido”, criticando a ausência de um “único indicador de sucesso da primeira edição”, e a não definição de metas e de critérios de avaliação para a próxima.
As críticas ao legado do ano que Braga foi Capital Portuguesa da Cultura estenderam-se também à bancada do PS. O deputado João Nogueira justificou abstenção do seu partido sublinhando que “não foi em vão que o Partido Socialista criticou Braga 25, Capital Portuguesa da Cultura”. Na perspetiva do eleito socialista, o evento pecou por um conjunto de ações, atividades e propostas realizadas “que não tiveram impacto rigorosamente nenhum”.
Classificando a dotação como “um investimento muito grande, tendo em conta os números de 2025”, expressou reservas quanto à capacidade de atração de público para a próxima edição, afirmando duvidar que, em 2027, o concelho consiga ter as salas cheias com a participação ativa e o envolvimento direto dos cidadãos locais.
Em contrapartida, a defesa da iniciativa e do apoio financeiro coube à bancada do Partido Social Democrata (PSD), pela voz de Carlos Vaz. O deputado sublinhou a necessidade de contextualizar o evento além da mera perspetiva de um festival convencional, definindo-o como “uma plataforma internacional de circulação artística”. Destacou ainda o impacto do projeto na valorização dos agentes culturais da região, lembrando que as centenas de profissionais envolvidos incluem muitos ativos de Braga e do Quadrilátero Urbano.
Carlos Vaz defendeu que a plataforma desempenha um papel fulcral ao ligar Braga “com vários países dos continentes à volta do Atlântico, ao criar oportunidades para os nossos artistas e ao posicionar, acima de tudo, Braga no circuito cultural bastante competitivo”.
