António Lobo Antunes, o “caçador de palavras” [1949-2026]

Definia-se como “caçador de palavras” e escrevia romances para combater a depressão que afirmava existir em todas as pessoas. António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, a 1 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria. Morreu esta quinta-feira, aos 83 anos.
Ainda assim, foi na escrita que encontrou a sua vocação a tempo inteiro. Tanto é que, em 2004, quando assinalava 25 anos de vida literária, revelou à Lusa que “nunca soube verdadeiramente fazer outra coisa que não escrever”.
A sua obra fala da solidão, da morte, do amor, da loucura e, invariavelmente, da guerra colonial, para a qual foi mobilizado em 1970, embarcando para Angola no ano seguinte, de onde regressou em 1973.
A sua caminhada literária, rumo ao estatuto de um dos autores mais lidos em Portugal, arrancou com o livro “Memória de Elefante”, em 1979, logo seguido de “Os Cus de Judas”, no mesmo ano. Surge, depois, o “Conhecimento do Inferno”, em 1980, e “Explicação dos Pássaros”, em 1981.
Em entrevista à Lusa, revelou que escrevia sempre à mão e, terminado o livro, não voltava a ele, nem para o ler. Escrevia tantas vezes “quantas o capítulo” o exigia. Quando começava a escrever, não sabia ainda se iria dar um livro, algo que surgia posteriormente, tal como a escolha do título.
Regularmente indicado como um dos mais prováveis vencedores portugueses do Nobel da Literatura, António Lobo Antunes acumulou prémios com a obra e como autor, pelo percurso literário:
- Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada, em 2004;
- Ordem da Liberdade, em 2019;
- Prémio Camões, em 2007;
- Grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, da França, em 2008.
c/Lusa
