António Costa nos 47º Colóquios de RI. União Europeia deve ser pilar contra a “desordem crescente” no mundo

Sob o mote ‘50 Anos de Dinâmicas Globais: onde as potências colidem, as sombras se prolongam e a Europa estremece’, o antigo primeiro-ministro português destacou ainda a erosão das normas do pós-guerra e a ascensão de um mundo multipolar.
Palavras de António Costa e Pedro Arezes.

António Costa destacou esta terça-feira, em Braga, a urgência de defender a ordem internacional baseada em regras, classificando como “desordem crescente” o estado atual das relações internacionais. O presidente do Conselho Europeu participou na sessão inaugural da 47ª edição dos Colóquios de Relações Internacionais da Universidade do Minho (UMinho), num momento em que assinala também o cinquentenário deste curso pioneiro em Portugal.

Sob o mote ‘50 Anos de Dinâmicas Globais: onde as potências colidem, as sombras se prolongam e a Europa estremece’, o antigo primeiro-ministro português destacou ainda a erosão das normas do pós-guerra, onde “grandes potências violam a paz e perturbam o comércio global”.

Segundo Costa, é possível identificar duas tendências fundamentais no tabuleiro internacional: “por um lado, uma crescente violação da ordem internacional baseada em regras que vigorava desde o pós-guerra; por outro lado, o mundo está a tornar-se também cada vez mais multipolar”.

Para o responsável europeu, a estratégia da União Europeia perante este desafio deve assentar em cinco pilares: “Princípios, paz, prosperidade, parcerias e poder”. O bloco “deve apoiar sem reservas uma ordem internacional baseada em regras, ancorada nos princípios da Carta das Nações Unidas, na defesa dos direitos humanos, da resolução pacífica dos conflitos, do respeito pela soberania dos Estados, e da estabilidade das fronteiras reconhecidas internacionalmente”.

As Nações Unidas devem ser reformadas, mas não podem ser substituídas. Devem permanecer como a pedra angular do sistema multilateral, porque são o único fórum com legitimidade universal e com o poder capaz de sustentar uma cooperação multilateral efetiva”, defendeu.


Outro ponto de atenção fica para a transição energética, defendida como essencial para a “segurança” da comunidade europeia, para que seja impactada com a crise energética vista “com a rutura do fornecimento do gás proveniente da Rússia e do proveniente do bloqueio do estreito de Ormuz”.


Compromisso da academia em compreender e refletir sobre os desafios globais

O papel da academia minhota foi destaque para António Costa, com o compromisso dos jovens “académicos e investigadores (da UMinho) com a compreensão e a reflexão sobre os desafios globais”. Destacou ainda o facto de “os Colóquios de Relações Internacionais decorrem há já 47 anos de forma ininterrupta, desde 1980″.

No início da sua intervenção, presidente do Conselho Europeu cometeu um lapso ao referir-se à instituição como “Universidade do Vinho”, corrigindo-se de imediato para Universidade do Minho sob risos e aplausos dos presentes na sessão solene. Com diplomacia, justificou a gafe afirmando que a qualidade do vinho nacional deve muito ao “saber produzido nas universidades através da formação de enólogos”.


A nível institucional, o reitor da academia minhota, Pedro Arezes, celebrou os profissionais formados ao longo destas cinco décadas. Para o reitor, os diplomados da instituição “aprenderam a usar os instrumentos de saber que a universidade lhes proporcionou para construir os seus próprios instrumentos”.

Reforçou ainda que, apesar dos sobressaltos e crises permanentes no cenário geopolítico, a principal ferramenta que os alunos levam da academia é “a capacidade de olhar o mundo sem descrer dele, nem no papel em melhorá-lo, por mais modesto e discreto que esse papel possa ser”.


Criado em 1975, foi o primeiro curso do tipo em Portugal

O evento, que regressou simbolicamente após “várias décadas” ao Salão Medieval, serviu também para um exercício de “regresso ao futuro, onde o passado ilumina o presente e sustenta a visão do que ainda está por vir”, sublinhou a presidente do Centro Estudos do Curso de Relações Internacionais (CECRI), Renata Costa Silva.

Recordou ainda que o curso, criado em 1975 ainda com o nome Línguas Vivas e Relações Internacionais, foi o primeiro do tipo em Portugal, surgiu pela visão do professor Lúcio Craveiro da Silva, como resposta à necessidade de Portugal abandonar o isolamento pós-25 de Abril.

O objetivo destes colóquios, aponta Renata Costa Silva, continua a ser transformar o pensamento em responsabilidade, garantindo que a universidade cumpre o seu dever de “pensar o que vem aí antes que o que vem aí nos ultrapasse”.

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Marcelo Hermsdorf
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Jornalista na RUM

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Sara Pereira
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