Variante do Fojo. Movimento cívico denuncia abate de árvores não previsto, vereador desmente

O abate de quatro árvores na Variante do Fojo, em Braga, tem gerado críticas. O corte, junto ao entroncamento com a Rua José Afonso Machado, aconteceu no âmbito da segunda fase de requalificação daquela via para dar lugar a uma nova paragem de autocarros.
Segundo Pedro Pinheiro Augusto, do Movimento SOS Árvores de Braga, a autarquia violou o caderno de encargos, uma vez que o projeto original, refere, contemplava apenas a transplantação das árvores para um local a definir pelo município, e “não para cortar”. O representante associativo ressalta, em entrevista à RUM, que algumas “daquelas árvores tinham já duas décadas de idade” e questiona onde a autarquia vai encontrar árvores semelhantes “para serem repostas no concelho”.
A versão apresentada pelo representante “não corresponde à verdade”, segundo Altino Bessa, vice-presidente da câmara de Braga e responsável pelo pelouro do Ambiente. O autarca garante que a eliminação das espécies sempre esteve prevista no plano da obra e revela ainda que vão ser plantadas sete novas árvores na mesma zona para compensar o impacto ambiental, “praticamente o dobro das árvores que foram abatidas”, sublinha.
“O projeto é muito claro em relação a isso”, rebate.
Admite, entretanto, que “as árvores que irão ser colocadas serão mais novas, mas com o tempo cumprirão a mesma missão que as outras”. Adianta, ainda, que “na faixa contrária”, também vai ser necessária a remoção de outras espécies para a instalação de outra paragem de autocarros.
Para o movimento cívico, a política ambiental do município não passa do papel, numa altura em que a cidade enfrenta ondas de calor cada vez mais severas. Pedro Pinheiro lamenta a perda do “património arbóreo” adulto e critica a estratégia local. “Nós precisamos de árvores com capacidade de realmente fazer uma diferença local. Precisamos delas agora, não é daqui a 20 e tal anos”, lamenta.
“Teoricamente elas iriam morrer e por isso seria difícil esse tipo de operação”
Do outro lado, Altino Bessa explica que a transplantação de árvores adultas como as que foram abatidas seria inviável do ponto de vista técnico e financeiro, pelo que o sucesso deste procedimento seria “muito reduzido”.
O responsável pelo pelouro do Ambiente explica que “não há remoção de árvores que têm determinado tipo de porte, que têm determinada dimensão e que dificilmente o seu arranque e a transplantação dessas árvores para outro local era condenar as árvores à partida à sua inviabilidade”.
Sublinha o impacto positivo da requalificação da via, que inclui uma nova ciclovia e passadeiras elevadas. Altino Bessa assume que as intervenções estruturais causam sempre transtornos, mas “que vai trazer outras dinâmicas e vantagens em termos de trânsito”.
A câmara defende que a requalificação da Variante do Fojo vai melhorar a mobilidade naquela zona da cidade, com a criação de novas paragens de autocarro, ciclovia e passadeiras elevadas. O Movimento SOS Árvores de Braga contesta a opção pelo abate e alerta para a perda de árvores adultas numa cidade cada vez mais exposta a episódios de calor extremo.
