Theatro Circo apresenta “quadrimestre muito rico” com destaques nas artes performativas e na música

Banda sonora de Stranger Things e nova peça de Sara Barros Leitão lideram propostas para o fim de 2026.

O Theatro Circo preparou um roteiro cultural ambicioso e diversificado para o último e “muito rico” quadrimestre de 2026. A opinião é do diretor artístico da sala bracarense, Luís Fernandes.

No campo das artes performativas, o responsável destaca três espetáculos:

O primeiro grande momento acontece logo entre os dias 18 e 20 de setembro com as três récitas de ‘Nós, Sozinhas’, a nova criação de Sara Barros Leitão focada na interrupção voluntária da gravidez. Esta estreia será acompanhada pela partilha do processo de construção no dia 19 e complementada, a 26 de setembro, por uma reflexão do ciclo Contexto sobre os direitos reprodutivos e o aborto, conduzida por Ana Campos e Rita Rato, assinalando os quase 20 anos do último referendo nacional.

O segundo destaque nas artes performativas aponta para o dia 13 de novembro, data em que Victor Hugo Pontes e a Companhia Maior sobem ao palco com a peça de dança ‘A esta hora, na infância neva’, uma coprodução que conta com intérpretes seniores entre os 60 e os 93 anos.

A fechar esta tríade cénica, a coreógrafa Marlene Monteiro Freitas traz a Braga, no dia 11 de dezembro, a peça ‘NÔT’, uma criação inspirada nas ‘Mil e Uma Noites’ que aborda a urgência de contar histórias como um gesto vital de resistência e transformação.

Ainda nesta vertente performativa, o público poderá acompanhar o espetáculo ‘Assimétrico’, de Beatriz Valentim e Miguel Santos (3 de outubro), integrado no programa Supracasa; as propostas multidisciplinares ‘Úlulu’, de Raquel Lima, e ‘GoldenLady’, de Mercedes Quijada (ambos a 8 e 9 de outubro); uma palestra sobre ancestralidade anarquista também por Raquel Lima (9 de outubro); a performance ‘Absoluto’, de Maria Leite Soares (30 de outubro); e a estreia de ‘A Fila J’ é a melhor, de Raquel André (31 de outubro), que celebra os 20 anos da reabertura do Theatro Circo transformando os espectadores bracarenses em protagonistas da noite.


Um cartaz musical arrojado e estreias de originais

No plano musical, Luís Fernandes realça um programa “arrojado, com nomes grandes”, onde se cruzam diferentes estéticas e géneros. Um dos momentos mais aguardados é a estreia absoluta em Portugal, no dia 14 de novembro, da dupla norte-americana Kyle Dixon e Michael Stein. Os compositores, vencedores de um Emmy, trazem a Braga a retrospetiva sonora completa que desenharam para as cinco temporadas da célebre série televisiva ‘Stranger Things‘.

Outro grande regresso internacional a solo nacional é o dos Lambchop, agendado para o dia 21 de novembro para apresentar o novo álbum ‘Punching the Clown’. A produção nacional de originais assume forte protagonismo com várias bandas a escolherem o palco minhoto para estrear os seus novos discos: os Sensible Soccers mostram Camminando di Notte (25 de setembro), os Glockenwise apresentam ‘Vale tudo para chegar a algum lado’ (10 de outubro), e a fadista Gisela João traz, pela primeira vez a Braga, as suas interpretações emotivas de canções de intervenção do álbum ‘Inquieta’ (26 de setembro).

O ecletismo musical completa-se com as atuações de Nico & the Bluebirds na Noite Branca de Braga (4 de setembro); o espetáculo tradicional de Vitorino, Janita e João Paulo Esteves com o Grupo de Cantadores do Redondo (16 de outubro); a Ópera de Elevador pela Sinfonietta de Braga (21 de outubro); o jazz do bracarense Manuel Bellesa (7 de novembro); a vanguarda instrumental francesa da ONCEIM (28 de novembro); e o Remix Ensemble da Casa da Música, que ruma a Braga a 4 de dezembro com um programa inteiramente dedicado às obras de Pierre Boulez e Frank Zappa.


Festivais residentes e o ponto alto do PARAÍSO

A agenda do espaço é igualmente marcada pela receção de grandes festivais de referência, definidos por Luís Fernandes como acontecimentos “incontornáveis no contexto nacional e local”.

O Theatro Circo volta a acolher a vanguarda da arte digital na 16.ª edição do Semibreve, entre os dias 22 e 25 de outubro, recebendo concertos de nomes como Nuno Canavarro & Bruno Miguel Pinto, Malcolm Pardon & Gustaf Broms, PYUR & Tarik Barri, Sam Slater, Qasim Naqvi e Fennesz & Oscar Jockel.

Também a fotografia e a memória visual regressam com os Encontros da Imagem (36.ª edição), através de um novo projeto expositivo da artista Rita Magalhães em torno do acervo do Museu Nogueira da Silva.

Como iniciativa própria do teatro, desenhada com a curadoria de Nuno Abreu, a 4.ª edição do festival PARAÍSO acontece a 11 e 12 de setembro. Este evento cruza pensamento, cinema e debates nas plataformas da BANTUMEN, CONCILIARE e Kitty Furtado entre a Centésima Página e o gnration, culminando na Sala Principal do Theatro Circo com o concerto da Cesária Évora Orchestra. Este espetáculo é apontado pelo diretor artístico como “um momento alto” do cartaz, ao reunir os músicos originais da cabo-verdiana ao lado de vozes contemporâneas como Ceuzany, Elida Almeida, Lucibela e Teófilo Chantre.

A pensar nas famílias, o quadrimestre encerra com propostas infantojuvenis de relevo, onde se incluem as oficinas e criações ‘Voar muito perto do sol’ (setembro e outubro), ‘Ocelo’ de Daniela Cruz (6 e 7 de novembro), ‘Nuvens’ (20 e 21 de novembro), ‘Oru Kami’ (28 de novembro) e uma sessão de cinema especial programada pelo PLAY – Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil de Lisboa a 12 de dezembro.

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Marcelo Hermsdorf
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Jornalista na RUM

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