‘Por um Fio’. Contextile junta Ai Weiwei e sustentabilidade em Guimarães na maior edição de sempre

Entre 5 de setembro e 29 de novembro, Guimarães volta a transformar-se na capital mundial da arte têxtil. Foi apresentada esta quinta-feira a oitava edição da Contextile – Bienal de Arte Têxtil Contemporânea, que este ano cresce em dimensão e proeminência internacional.
Com abertura marcada para o dia 5 de setembro, a iniciativa vai ter “uma escala bastante maior”, destaca o diretor da bienal, Joaquim Pinheiro. O artista e ativista chinês Ai Weiwei é o grande destaque deste ano, com intervenções programadas para o espaço público e para locais emblemáticos como o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) e os Tanques de Couros.
Para 2026, a Contextile adota um lema provocador: ‘Por um fio’. A expressão serve de metáfora e de alerta para as fragilidades do mundo atual nas suas mais diversas vertentes, uma vez que “os territórios e as comunidades estão um pouco por um fio, a nível climático, social, económico, político e mesmo do património cultural”, destaca.

A Exposição Internacional, que ficará patente no Palácio Vila Flor até ao dia 29 de novembro, vai contar com 54 obras selecionadas, de 51 artistas, de 27 países. Um número restrito extraído de um universo recorde de candidaturas, que superou as duas mil inscrições oriundas de todo o mundo.
Combater o isolamento através da arte pública
A diretora artística do evento, Cláudia Melo, sublinha que a Contextile 2026 quer ocupar as ruas. O foco vincado no espaço público surge como uma resposta necessária para combater, segundo a responsável, o distanciamento social e a excessiva dependência do mundo digital.
O programa deste ano fica marcado ainda pelo reforço dos projetos pedagógicos – com uma ligação ainda mais forte às escolas locais através do projeto Emergências – e pela cooperação internacional nas residências artísticas, que vão acolher 10 criadores em Guimarães.
Da Capital da Cultura à Capital Verde
A trajetória da Contextile confunde-se com os grandes marcos da cidade. Nascida em 2012, aquando da Capital Europeia da Cultura, a bienal chega à sua oitava edição num momento em que Guimarães detém o título de Capital Verde Europeia.
Esta coincidência reforça, para a Isabel Ferreira, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Guimarães, a urgência do debate ecológico e urbano que a arte têxtil propõe.

A responsável lembrou que a iniciativa acontece num momento crucial de transição industrial para o concelho, “que é particularmente uma cidade onde existe uma forte predominância daquilo que são as indústrias tradicionais”, que procura cruzar a sua forte herança histórica no setor têxtil tradicional com o acolhimento de novas indústrias e tecnologias.
