UMinho regista lucro de 7,97 milhões em 2025. Indicadores financeiros geram debate interno entre a “austeridade” e o “rigor”

Em 2025, a instituição gerou rendimentos na ordem dos 185,8 milhões de euros para gastos fixados em cerca de 177,8 milhões.
O essencial do debate: De "património de austeridade" a "contas de rigor" no Conselho Geral

A Universidade do Minho (UMinho) encerrou o ano de 2025 com um resultado líquido individual exato de 7.979.577,51 euros, de acordo com o quadro de indicadores apresentado no mais recente plenário do Conselho Geral. Apesar do cenário de sólida recuperação económica de uma instituição que no passado enfrentou fortes debilidades, a apresentação das contas abriu uma profunda divisão interna na academia. Se a administração cessa funções a celebrar o reequilíbrio, vozes críticas alertam que as cativações orçamentais penalizaram o normal funcionamento das unidades orgânicas, prejudicando a contratação e as estratégias de ensino.


Os Milhões no Verde e o Peso da “Austeridade”

O quadro de indicadores económicos da instituição antes da consolidação do Grupo Público revelou um cenário de conforto ímpar na sua história recente. Em 2025, a UMinho gerou rendimentos na ordem dos 185,8 milhões de euros para gastos fixados em cerca de 177,8 milhões, permitindo abater substancialmente os resultados transitados negativos acumulados ao longo da última década.

Os números, apresentados como sinal de inegável pujança financeira, não agradaram a todos os membros do Conselho Geral. O conselheiro Miguel Martins assumiu a liderança das críticas, argumentando que a saúde financeira da universidade, que “se calhar nunca esteve melhor”, representa na verdade um perigoso “património de austeridade interna”. Para o conselheiro, a acumulação deste saldo positivo tem impacto direto na vida de quem estuda e trabalha nos campi, lamentando os “sacrifícios que prejudicaram imenso a comunidade académica” em nome do equilíbrio das contas.

Miguel Martins alerta para o impacto negativo dos cortes orçamentais no quotidiano da academia

O “Duplo Dano” Estratégico nas Escolas

A contestação ao modelo orçamental ganhou contornos práticos quando se debateu a asfixia financeira de algumas escolas, as quais se debatem com orçamentos de base negativos que limitam ou impedem a contratação de novos docentes e o apoio suplementar à investigação.

Ilustrando as consequências diretas desta estratégia na resposta às exigências do país, o conselheiro Luís Santos referiu o caso crítico do Instituto de Educação. O conselheiro classificou os cortes aplicados a esta escola como “uma espécie de um duplo dano” do ponto de vista estratégico para a UMinho, sublinhando que é um contrassenso que “essa penalização acontece nas verbas do Instituto da Educação precisamente num momento em que o país descobre que precisa de maior formação de professores”.

Luís Santos ilustra o impacto das contas nas necessidades urgentes de contratação no ensino

A Defesa da Gestão: Do Risco de Rutura à Estabilidade

Em resposta ao uso do termo “austeridade” e às preocupações manifestadas sobre os orçamentos das unidades orgânicas, o administrador cessante da UMinho, Eduardo Ferreira, rejeitou a leitura crítica dos conselheiros. Na sua intervenção, contrapôs com o histórico de recuperação financeira, recordando o contexto limite em que assumiu funções, marcado por dificuldades reais em cumprir obrigações institucionais básicas, como o pagamento de salários.

Eduardo Ferreira justifica a política financeira recordando as debilidades financeiras anteriores

“Eu lembro-me, na primeira reunião do Conselho Geral em que eu estive, perguntarem se havia dinheiro para ordenados. A austeridade estava nessa altura, em que não havia dinheiro para rigorosamente nada.”

Eduardo Ferreira

A Troca da “Austeridade” pelo “Rigor”

O apelo a uma leitura mais otimista dos resultados acabou por ecoar no plenário. O conselheiro Mário Monte interveio no debate para rejeitar o cenário de preocupação, sugerindo que os cerca de 7,97 milhões de euros de lucro sejam encarados como um garante de sustentabilidade, de esperança e de avanço para novas obras.

Mário Monte propõe a leitura dos resultados através da lente da boa gestão e do rigor financeiro

Num esforço de apaziguamento, Mário Monte propôs à academia uma alteração de perspetiva. Afirmando que “em vez de falar em austeridade”, o Conselho Geral e a comunidade devem sublinhar “um outro termo” para classificar as opções financeiras da atual administração: “Em vez de austeridade, é rigor”, rematou.

Após o momento de reflexão conjunta, a equipa reitoral admitiu abertura para voltar a debater a via de reequilíbrio orçamental. O Relatório de Contas Consolidadas do Grupo UMinho de 2025 foi, por fim, aprovado por larga maioria, registando apenas a abstenção de dois conselheiros.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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