João Rodrigues admite hipótese de radares em Braga e oposição dá luz verde à medida

A sucessão de atropelamentos e acidentes graves nas vias de Braga levou o presidente da câmara municipal, João Rodrigues, a admitir abertamente a hipótese de instalar radares de velocidade no concelho para travar o excesso de velocidade. A solução, sugerida pelo autarca para as zonas mais críticas, gerou um consenso político invulgar no Executivo, com todas as forças da oposição a apoiarem a medida sem reservas. A decisão final, contudo, ficará sempre dependente da avaliação técnica do novo Plano Municipal de Segurança Rodoviária, que a autarquia prevê fechar no início de julho.
O “Massacre” Diário e a Pressão Para Agir
O debate em torno da segurança rodoviária dominou a agenda política face aos recentes incidentes graves envolvendo peões e trotinetes elétricas. A oposição alertou para o desgaste da cidade perante a falta de ação no terreno. O vereador Rui Rocha, da Iniciativa Liberal (IL), recordou que a cidade perdeu um ano desde o anúncio do plano com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, classificando o cenário atual como insustentável.
“A palavra que eu usei para definir aquilo que tem acontecido nos últimos anos em Braga é: massacre. Nós às vezes preocupamo-nos com questões de segurança de outra ordem, mas praticamente todos os dias estamos a ter pessoas que têm acidentes, que são atropeladas, que ficam com a sua vida estragada ou mesmo que perdem a sua vida no município de Braga. É inaceitável.”
Rui Rocha (IL)
O movimento Amar e Servir Braga (ASB) acompanhou a apreensão, com o vereador Ricardo Silva a exigir que o município comece imediatamente a transformar a morfologia das estradas com medidas físicas de acalmia de tráfego, lamentando que o plano estratégico peque por tardio.
Foi perante este alarme generalizado que João Rodrigues desfez tabus em torno da vigilância eletrónica. Ao perspetivar a aplicação do novo plano técnico, o presidente da Câmara Municipal de Braga admitiu a viabilidade dos radares como resposta. O autarca partilhou a convicção pessoal de que os equipamentos seriam eficazes na resolução dos estrangulamentos nas artérias críticas, rejeitando, no entanto, qualquer propósito de “caça à multa”.
“Eu não quero radares para garantir meios financeiros para a câmara municipal. Agora, há determinadas zonas onde manifestamente os radares resolveriam muitas coisas, não tenho dúvida nenhuma.”
João Rodrigues, presidente da câmara de Braga
O edil deixou, contudo, a ressalva de que a última palavra pertencerá à ciência: se os técnicos que desenham o Plano de Segurança Rodoviária concluírem que os radares não se justificam, a medida não avançará, recusando a adoção de soluções por mero “achismo”.
Consenso Inédito: Oposição Valida Medidas Punitivas
O Chega, através do vereador Filipe Aguiar, aproveitou o debate sobre a segurança rodoviária para voltar a alertar para o “flagelo das trotinetes”. O autarca vincou que os riscos e os acidentes com estes veículos nas ruas de Braga são diários, saudando o facto de o executivo assumir, finalmente, a necessidade de agir e de dar uma solução rápida a este problema.
No mesmo sentido, o Partido Socialista deu luz verde absoluta à medida. O vereador Pedro Sousa garantiu que os socialistas não têm “nenhum problema com a radarização de áreas problemáticas da cidade”, vincando que o partido prefere um controlo efetivo das velocidades, com pesadas penalizações para os automobilistas incumpridores, do que continuar a ter “pessoas a morrer atropeladas” ou “a ficarem mutiladas” nas estradas do concelho. Para a bancada do PS, a proteção da vida humana tem de se sobrepor inequivocamente ao desconforto provocado pelas multas.
Enquanto o documento técnico não é apresentado no próximo mês, o executivo salienta que já estão a ser executadas intervenções mitigadoras no terreno, exemplificando com a atual requalificação da Variante do Fojo (orçada em 5 milhões de euros), que integra fortes componentes físicas para acalmar o tráfego e promover a segurança.
