São João de Braga regressa mais inclusivo, descentralizado e focado nos artistas e comerciantes locais

Entre 17 e 24 de junho, o São João está de volta a Braga mais acessível, descentralizado e focado nos artistas locais. Este ano, para além do reforço da programação no Parque da Ponte, surgem mais dois palcos totalmente dedicados a artistas bracarenses e as “barraquinhas” regressam à Avenida da Liberdade.
Com um orçamento de 580 mil euros e cerca de 400 horas de programação, a “mais antiga celebração sanjoanina de Portugal” quer chegar a todos os cantos do concelho e chamar mais de 1 milhão de visitantes à cidade.
Esta edição marca o primeiro ano da nova direção da Associação de Festas do São João de Braga (AFSJB) e, por isso, os planos são renovados e plurianuais. Com mais de 365 entidades e 10 mil pessoas envolvidas direta ou indiretamente na organização, o objetivo já a partir deste ano, e até 2029, é trazer uma “nova ambição” às festas e fazer com que a forma como se vive a festividade “evolua”.
Essa é, pelo menos, a vontade da presidente da AFSJB, Daniela Pereira, que durante a apresentação do programa esta quarta-feira, no Parque da Ponte, assumiu querer envolver mais as comunidades “quer por via das juntas de freguesia, quer por via das associações” na organização, de forma a que o “São João seja vivido por toda a gente”.
“Queremos que o São João seja mais inclusivo, mais sustentável mas, sobretudo, mais participado por todo o concelho porque, efetivamente, falamos das festas do concelho, das nossas festas municipais”.
Nesse sentido, a partir desta edição, as festas assumem-se descentralizadas. De acordo com a responsável, quer seja através da presença concreta das festividades nas 37 freguesias, pelo contacto direto com a população, quer seja através de instalações artísticas desenvolvidas pelas associações locais, “o São João de Braga será vivido da Morreira à Pousada, de Crespos até Pedralva, passando por Arentim até chegar a Tadim”.
Como parte de um programa mais extenso, que faça do São João um tema que se fale o ano inteiro, a Associação está a preparar um conjunto de iniciativas e até um projeto educativo “que leve a intergeracionalidade até às escolas”.
“Aquilo que nós queremos é, essencialmente, valorizar a tradição. E é isto que tem sentido para nós até 2029 e depois”.
Em resposta ao desafio lançado por João Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Braga, as barraquinhas estão de volta à Avenida da Liberdade ainda que “num registo diferente”. Envolvendo as freguesias e o Human Power Hub, estes espaços acolherão associações locais de forma a “poderem demonstrar aquilo que melhor fazem na sua comunidade”.
Na mesma lógica, serão montados dois mini-palcos entre os Granjinhos e o Hotel Mercure para que dez artistas locais mostrem as suas habilidades nas mais diversas áreas artísticas.
No plano da acessibilidade, as celebrações contarão pela primeira vez com intérpretes de Língua Gestual Portuguesa nos espetáculos principais e sinalética adaptada para pessoas com daltonismo.
Já no plano da sustentabilidade, para além dos percursos habituais da TUB a um euro, no dia 23, o risco de incêndio foi acautelado através da substituição dos balões tradicionais por balões com gás hélio.
Para João Rodrigues, estas são mudanças que acompanham os tempos, mas mantêm a tradição viva. “O São João não tem que mudar, mas tem que acompanhar essa evolução”, diz.
“A cidade tem mudado muito e é muito importante que o São João consiga acompanhar estas alterações. O mundo tem mudado muito: desde a utilização de novas tecnologias até ao facto de termos que ter atenção à sustentabilidade ambiental, social, financeira de tudo aquilo que fazemos”.
Assim, para o edil, um plano equilibrado é “pensar o São João a sério”, repetindo tudo aquilo que é bem feito, retomando algumas tradições e melhorando a qualidade da festa.

Programação reforçada com artistas locais no Parque da Ponte
Ainda no sentido de aproximação ao que é local, também a programação principal conta com vários artistas bracarenses.
Amigos da Sobreposta, Funky Friends e Siga a Farra são alguns dos nomes mais sonantes da lista de artistas locais que subirão ao palco no Parque da Ponte com o objetivo de “revitalizar a festa a partir deste espaço tendo em conta que é também um espaço de romaria”.
Assim, a 17 de junho, os Amigos de Sobreposta acompanhados de grupos de concertinas da região abrem as hostes para dois dias inteiramente dedicados à região.
No dia 18 é a vez da Orquestra de Cordofones Tradicionais do Minho subir ao palco na Avenida Central. No mesmo dia, os Funky Friends ocupam o palco no Parque da Ponte.
Já durante o dia, além da novena e das habituais cascatas sanjoaninas, o programa conta com a visita às instalações artísticas criadas pelas freguesias.
No terceiro dia de festa, para preparar o fim de semana, também Daniel Pereira Cristo junta-se à festa, trazendo consigo alguns convidados e o álbum novo ‘Malva Globo’, para animar a noite de 19 de junho, na Avenida Central. Enquanto isso, o Parque da Ponte acolhe cantares ao desafio.
Mas nem só da cultura local se faz o programa das Festas. No dia 20, sábado, a festa conta com a presença da Rosinha.
Durante o dia, pela manhã, o concerto ‘Braga Capital do Cavaquinho’ dá início a um festival que reúne, durante dois dias, mais de 60 grupos de cavaquinhos. Pela tarde, arranca também o ‘Encontro Internacional de Gigantones e Cabeçudos’ que pelas 21h30 fará do centro da cidade o epicentro de um encontro de mais de 1.300 participantes.

Depois do fim de semana (20 e 21 de junho) a concentrar os momentos de grande destaque para os artistas bracarenses e grupos folclóricos, na segunda-feira a Associação Académica da Universidade do Minho junta-se à festa. Os grupos culturais da academia minhota ocupam os palcos na Avenida Central e no Parque da Ponte a partir das 21H30.
Com a abertura oficial das festas arranca às 10H na Praça Municipal, a programação conta com vários concertos a cargo das bandas filarmónicas pela tarde dentro. Intercalados com o cortejo das Rusgas, arraiais e festas e o toque dos sinos, os artistas locais têm hora e local marcado ao longo da Avenida da Liberdade.
Com o ponto alto das festas na noitada de 23 para 24, o Parque da Ponte recebe os ‘Siga a Farra’ depois do fogo de artifício.
Na despedida de São João Baptista, a música volta a assumir o protagonismo no palco da Avenida Central com o concerto de Miguel Araújo, conhecido pela proximidade com o público, pelas letras intimistas e por temas que se tornaram incontornáveis na música portuguesa.
O programa completo pode ser consultado através do site oficial das festas.
Protocolo com AEB chama comerciantes bracarenses para a Festa
Ainda que as estimativas sejam mais conservadoras do que as do ano passado, a Associação Empresarial de Braga (AEB) espera que a nova dinâmica tenha um retorno superior a 20 milhões de euros.
Firmado recentemente, o protocolo entre a AFSJB e a AEB procura trazer maior profissionalização à logística do evento, transferindo a gestão das bancas de rua para a AEB com o intuito de dar prioridade aos comerciantes locais e prevê, ainda, a realização de um estudo inédito sobre o impacto económico das festividades na cidade.
As expectativas são altas para ambas as partes. Na perspetiva de Daniela Pereira, esta é mais uma forma de “valorizar a ligação dos comerciantes ao São João de Braga”, garantindo que todos os envolvidos na organização estejam “no mesmo movimento de onda”, que é o de “entregar o máximo de valor não só às comunidades que vivem do São João, mas também a quem está 365 dias com a porta aberta na nossa cidade”.
Já Daniel Vilaça, presidente da AEB, espera que o maior envolvimento dos comerciantes locais, quer nas barracas, quer nos arraiais, favoreça não só os próprios e a organização, mas contribua também para um ambiente de “convívio e de boa vizinhança”.
Para o dirigente, a festa já não se limita apenas a uma época ou espaço, mas a vários, desde os estabelecimentos comerciais até às casas das pessoas.
Por isso, pede aos comerciantes que se envolvam, seja participando nos arraiais ou decorando as montras.
“O São João de Braga é, sem dúvida, um dos momentos mais relevantes para a nossa economia local.”





