‘INOVARMY 2026’. Apoiado pela tecnologia, foco do Exército deve ser o elemento humano

Ainda que a tecnologia seja indispensável para o fortalecimento da defesa nacional, de acordo com o vice chefe do Estado-Maior do Exército, João Pedro Ribeiro, “o elemento humano deve continuar a ser o centro do universo militar”.
Arrancou esta terça-feira, no Forum Braga, o ‘INOVARMY Summit & Expo 2026’, uma iniciativa do Exército dedicada à academia, centros de investigação e empresas que pretende reforçar o papel da força militar como parceiro para projetos de investigação e inovação.
Com uma exposição repleta de empresas e artigos tecnológicos, desde drones a produtos têxteis inovadores, a iniciativa bem que podia centrar-se no poderio tecnológico nacional, contudo o foco destes dois dias recai sobre a capacitação humana, como aliás faz referência o tema.
Foi também neste sentido que a segunda maior figura do Exército deu início à iniciativa. De acordo com João Pedro Ribeiro, ainda que a tecnologia seja indispensável, esta “só terá verdadeiro valor se aumentar a capacidade de quem comanda, de quem combate e de quem sustenta”.
Por isso, importa o quanto antes “preparar melhor quem decide, comanda, combate e serve”. Nas palavras do dirigente “importa afirmar que o elemento humano continua a ser o centro deste universo militar” uma vez que é o “decisor e o responsável último pelo seu emprego e pela missão”.
Num tempo de sensores, algoritmos, biotecnologias e sistemas autónomos, importa afirmar que o elemento humano continua a ser o centro deste universo militar. Num tempo em que a máquina ganha e imprime velocidade, autonomia e presença no campo de batalha, importa afirmar uma ideia simples. O homem continuará a ser o criador da máquina”.
Isto não significa, contudo, que a tecnologia seja deixada em segundo plano.
Numa altura em que até dentro do espaço europeu, os conflitos “recuperam a letalidade e intensidade de guerras do século passado” com novas roupagens, assumindo uma dimensão híbrida e informacional e até com capacidade ciber-espacial, a tecnologia pode ser a resposta para assegurar a defesa nacional ou até o poderio militar.
Para isso, João Pedro Ribeiro sublinhou a relevância da parceria entre o Exército e a academia, a investigação e a indústria nacional.
A modernização do Exército faz-se num encontro entre a experiência operacional, o conhecimento científico, a criatividade tecnológica e a capacidade de transformar oportunidades em soluções úteis para a nossa missão.
Na sessão, composta por militares, investigadores, representantes da indústria, universidades e entidades públicas, também marcou presença o secretário de Estado Adjunto da Defesa Nacional, Álvaro Castelo Branco.
Aos jornalistas, à margem da sessão, o governante admitiu que as forças armadas têm sofrido grandes transformações que, nos últimos anos, as têm colocado “caminho certo”, sobretudo a nível tecnológico.
“Mas também nunca podemos esquecer que temos de continuar a investir muito em desenvolvimento humano e nas pessoas, porque as pessoas nunca vão deixar de ser o centro de todo este sistema”, acrescenta.
Além disso, o governante apelou às empresas e indústrias para que “participem ativamente neste futuro”, assumindo o papel de protagonista .
“Nós queremos ter uma indústria de defesa cada vez mais forte e queremos chegar ao ponto ideal de autossuficiência, que nunca existirá, mas para aí gostaríamos ter sempre o nosso horizonte”
Promovido pelo Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército Português, com o apoio da idD Portugal Defence, o ‘INOVARMY Summit & Expo 2026’ pretende refletir o compromisso contínuo com a modernização dos equipamentos, a transformação tecnológica das capacidades militares e a integração de soluções inovadoras no domínio da defesa.
As conferências e a exposição tecnológica podem ser acompanhadas no Forum Braga até esta quarta-feira.



