Investigação ganha ponte para o mercado. Lançado o maior programa nacional de aceleração de ‘Deep Tech’

O "Tech Foundry Portugal - Deep Tech Edition" vai apoiar até 40 equipas científicas e spin-offs universitárias na transição das descobertas de laboratório para a economia real. As candidaturas abrem em junho.

O Governo anunciou a criação do Tech Foundry Portugal – Deep Tech Edition, um programa de aceleração intensivo focado em apoiar equipas de investigação, spin-offs universitárias e startups de base científica na transição do laboratório para o mercado.

Anunciado pelo secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, na SIM Conference, no Porto, este é considerado o “maior programa” nacional desenhado em exclusivo para o ecossistema ‘deep tech’. O objetivo central do executivo e da Startup Portugal é transformar o conhecimento científico de excelência produzido em soluções tangíveis, com impacto real e à escala global.


Oportunidade para a Academia e Centros de I&D

O programa pisca diretamente o olho ao setor do Ensino Superior e aos centros de Investigação e Desenvolvimento (I&D). Segundo Miguel Aguiar, diretor executivo da Startup Portugal, “Portugal tem investigação científica de qualidade reconhecida internacionalmente, o que tem faltado é a ponte entre o laboratório e o mercado”.

O Tech Foundry destina-se especificamente a equipas universitárias e spin-offs que possuam tecnologia própria, bem como a startups em fase inicial de formação. Não é obrigatório possuir uma empresa já constituída para avançar com a candidatura.

Para serem elegíveis, as soluções devem encontrar-se num nível de maturidade tecnológica TRL 4 ou TRL 5. Isto significa que a tecnologia deve já ter uma prova de conceito validada ou um protótipo inicial, tendo sido demonstrada num ambiente laboratorial ou num ambiente relevante que se aproxime das condições reais de funcionamento.

As áreas prioritárias (setores elegíveis) da iniciativa incluem: Biotecnologia e Tecnologias da Saúde (Biotech & Healthtech); Materiais Avançados e Nanotecnologia; Inteligência Artificial e Computação Avançada; Robótica e Sistemas Autónomos; Tecnologias Climáticas e Oceânicas (Clean & Marine Tech) e Espaço e Aeronáutica.

Desenvolvido em parceria com a Hello Tomorrow, a maior comunidade de ‘deep tech’ na Europa, com uma rede em mais de 100 países, o programa irá decorrer num formato híbrido ao longo de quatro meses, entre setembro e dezembro de 2026.

Serão selecionadas até 40 equipas nacionais, distribuídas por duas rotas de acompanhamento, que beneficiarão de mentoria especializada, workshops sobre os desafios da entrada no mercado e ligação direta a uma rede global de mais de 1.300 investidores e 5.000 especialistas corporativos. As sessões presenciais terão lugar na cidade do Porto.

Os responsáveis pelo projeto dentro das equipas deverão ter fluência na língua inglesa, dado que o programa será lecionado e gerido integralmente nesse idioma. A participação para as equipas selecionadas é totalmente gratuita, estando as despesas de alojamento para as sessões presenciais no Porto cobertas pela organização.


Ligação a financiamento de 750 mil euros

Para além do percurso de aceleração, que culminará num ‘Demo Day’ em dezembro (com apresentação a investidores), o programa constrói uma via direta de acesso ao financiamento.

As equipas escolhidas para financiamento através da linha IFIC Deep Tech, lançada pelo Banco Português de Fomento, poderão contar com “tickets de investimento até 750.000 euros em capital ou quase-capital”, em formato de coinvestimento com privados, criando um percurso que une capital e capacitação num único caminho integrado.

As candidaturas para o Tech Foundry Portugal abrem em junho de 2026, através do site oficial da Startup Portugal.

Partilhe esta notícia
Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

Deixa-nos uma mensagem

Deixa-nos uma mensagem
Prova que és humano e escreve RUM no campo acima para enviar.
Sérgio Xavier
NO AR Sérgio Xavier A seguir: RADAR FAZ CULTURA às 14:30
00:00 / 00:00
aaum aaumtv