Carta interna expõe mal-estar no Hospital de Braga

O Hospital de Braga voltou a entrar no programa “Praça do Município”, da RUM, após a divulgação de uma carta interna que denuncia alegados problemas graves na gestão e funcionamento da unidade hospitalar.
O tema foi introduzido por Jorge Cruz, que classificou a situação como “gravíssima”, apontando para um clima de descontentamento entre profissionais de saúde. Segundo o comentador, a carta — que o presidente do conselho de administração, Américo Afonso mão comenta — levanta críticas sobretudo à atuação da direção clínica.
Entre as principais queixas destacam-se alegadas dificuldades de comunicação entre a administração e os diretores de serviço, bem como um sentimento de desânimo generalizado entre médicos de diferentes especialidades. É ainda mencionada a saída de especialistas em algumas áreas, como dermatologia, e dificuldades no recrutamento de novos profissionais para ocupar os lugares deixados.
Outro dos pontos sublinhados prende-se com a acumulação de funções pela atual diretora clínica, inicialmente responsável pelos cuidados de saúde primários e que, entretanto, passou também a assegurar a área hospitalar. Jorge Cruz questionou a experiência e disponibilidade para o cargo, referindo que a responsável estará apenas presente no hospital em parte da semana.
João Granja adotou uma posição mais cautelosa, reconhecendo a existência de um “mal-estar” interno, mas evitando comentar o conteúdo da carta por falta de conhecimento na altura em que o programa foi gravado. O comentador destacou a complexidade da gestão de uma unidade hospitalar desta dimensão e defendeu uma melhor articulação entre administração e serviços, considerando a atual solução de direção clínica como transitória.
Já António Lima alertou para os riscos de politização do setor, defendendo regras mais claras na nomeação de cargos de gestão pública vincando a ideia de que a instabilidade e sucessivas mudanças podem desmotivar profissionais e fragilizar o sistema.
O assunto deverá voltar a ser debatido proximamente no programa Praça do Município, uma vez que os comentadores assinalaram a relevância do tema.
Sindicato pede esclarecimentos à ULS de Braga
O Sindicato dos Médicos do Norte pediu esclarecimentos à administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, após receber, esta terça-feira, uma carta aberta a denunciar irregularidades que “poderão colocar em causa a continuidade dos cuidados de saúde”.
“Perante a gravidade das situações relatadas, o Sindicato dos Médicos do Norte solicitou esclarecimentos formais ao Conselho de Administração da ULS de Braga e requereu a marcação urgente de uma reunião”, anunciou o sindicato em comunicado.
A carta aberta, subscrita por médicos, denuncia ainda que a transição para um novo sistema informático, designado SClínico, terá originado “diversas disfunções, incluindo utentes sem consulta por terem ficado ‘perdidos’ no sistema, pedidos de exames não agendados e entretanto caducados, relatórios clínicos irrecuperáveis, agendas duplicadas e consultas inexistentes”, explicou o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), num comunicado entretanto enviado às redações. Recorde-se que a transição para o novo sistema informático começou em julho de 2025.
Segundo o sindicato, para além das “falhas com potencial impacto significativo” no serviço prestado aos utentes, os médicos denunciaram o cancelamento de cirurgias, incluindo em pacientes com cancro.
O SMN referiu também a redução do número de cirurgias adicionais [fora do horário de trabalho], realizadas na ULS de Braga considerando a diminuição “um favorecimento” para o setor privado.
De acordo com o sindicato, os profissionais denunciaram ainda interferências nas decisões nos cuidados de saúde primários [centros de saúde], que poderão “configurar uma violação da autonomia técnica dos médicos especialistas”.
A RUM procurou chegar à fala com a administração da ULS de Braga para esclarecer o conteúdo da carta interna e a situação atual daquela instituição de saúde, mas o conselho de administração presidido por Américo Afonso não pretende comentar o assunto.
c/Lusa
