MUZEU. O espaço de pensamento crítico que coloca Braga no circuito internacional da arte contemporânea

O MUZEU - Pensamento e Arte Contemporânea dst abre ao público a 25 de abril e propõe uma nova relação entre arte contemporânea, sociedade e participação cívica. A programadora e curadora falou à RUM sobre todo o processo de criação, desvendando alguns elementos que integram a exposição inaugural.
Helena Mendes Pereira em entrevista ao Campus Verbal

O MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst nasce em Braga com uma ambição clara: ser mais do que um espaço expositivo e afirmar-se como uma plataforma de pensamento crítico e intervenção cultural.

A diretora e curadora Helena Mendes Pereira guiou a RUM por uma visita integral ao espaço, desde a porta de entrada até à escada infinita, no quinto andar de um espaço pensado de mão dada com um nome de referência da arquitetura portuguesa e de Braga em particular, Carvalho Araújo. A afinar os últimos detalhes, numa atenção minuciosa, a equipa composta por mais de vinte pessoas tem passado longas horas no interior do novo museu da cidade que surge fruto de um investimento privado de aproximadamente 40ME por parte de José Teixeira, um empresário de Braga conhecido também pelo seu amor pela arte e pela filosofia.

No programa de grande entrevista Campus Verbal, dedicado esta semana ao novo museu de arte contemporânea que promete entrar no circuito internacional, a programadora e curadora explica que o projeto resulta de “um caderno de encargos muito abrangente”, centrado na ideia de o museu funcionar como “voz pública” do grupo dst, refletindo os seus valores e causas através da arte.

O projeto foi pensado em diálogo com a arquitetura, num processo prolongado que procurou adaptar o espaço às intenções curatoriais. “Este seria um museu para afirmarmos os nossos valores, para, a partir da arte, pensarmos”, sublinha a responsável, apontando desde cedo a necessidade de encontrar um posicionamento distintivo, ela que destaca também a obra do próprio Arquiteto, Carvalho Araújo, bracarense, figura incontornável da arquitetura.

“O primeiro museu no mundo que inscreve a palavra pensamento no título”

Um perfil diferenciador que surge na própria designação. Ao integrar a palavra “pensamento”, o MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst assume uma identidade singular no panorama internacional. “É o primeiro museu no mundo que inscreve a palavra pensamento no seu título”, sublinha Helena Mendes Pereira, acrescentando que a intenção é clara: “as pessoas vão entrar para não saírem iguais”, desafiadas a sair da zona de conforto através das exposições e de uma programação paralela contínua.

Inspirado em modelos curatoriais mais dinâmicos, o MUZEU aposta numa programação permanente que vai além das exposições, convocando diferentes públicos. Música, dança, filosofia, conferências e atividades educativas integram uma estratégia que pretende transformar o museu num espaço vivo. “O museu tinha que ser o ponto de encontro dessas várias tribos”, afirma.

A ambição do projeto ultrapassa o contexto local e nacional. O MUZEU pretende afirmar Braga e o Norte no circuito internacional da arte contemporânea, contribuindo para a renovação da imagem cultural do país. A curadora acredita que os museus desempenham um papel determinante nesse processo. “Há uma reinvenção da imagem do país que precisa de ser feita”, defendendo uma visão de Portugal como território “cosmopolita, culto e de vanguarda”.

Com cerca de 100 obras nesta primeira seleção da curadora há uma enorme margem para apresentar mais obras e mais artistas nos próximos anos só a partir da coleção privada de José Teixeira.

A exposição inaugural, intitulada “Sejamos realistas, exijamos o impossível”, reúne cerca de uma centena de artistas e mais de uma centena de obras, numa seleção que reflete a natureza orgânica da coleção. Com cerca de 1.500 peças e 240 artistas no total, a coleção do museu é apresentada sem hierarquias cronológicas ou de valor, privilegiando antes uma organização temática que cruza gerações, geografias e linguagens.

Pablo Picasso, Paula Rego e Anselm Kiefer integram exposição de abertura do MUZEU

Entre os artistas presentes destacam-se nomes maiores como Pablo Picasso, Paula Rego e Anselm Kiefer, a par de um conjunto alargado de criadores portugueses e internacionais, como Alex Katz, Jason Martin ou Julian Opie. Um dos núcleos centrais do percurso expositivo é precisamente dedicado a Anselm Kiefer, numa sala permanente — uma solução inédita a nível mundial, ressalva também a programadora do MUZEU.

Pensada como ponto de partida, a exposição reflete temas como memória, utopia, trabalho, corpo e protesto, assumindo uma dimensão política e social alinhada com o conceito do museu. A própria organização dos espaços — da “praça” inicial ao “olimpo” dedicado a Kiefer — reforça a ideia de percurso reflexivo e imersivo.

O projeto inclui ainda uma forte componente de mediação e acessibilidade, com horários pensados para a população ativa, entrada gratuita às quintas-feiras e uma programação diversificada que procura alargar públicos. A abertura oficial será marcada por uma performance no espaço público, envolvendo diferentes comunidades da própria cidade de Braga num claro sinal de inclusão.

Desafiada a olhar para o MUZEU dentro de cinco anos, Helena Mendes Pereira aponta uma meta clara: “aquilo que eu desejo é que, daqui a cinco anos, o museu tenha afirmado Braga, a região do Minho e o país como lugar de promoção da cultura e da arte contemporânea” na convicção de que o impacto do MUZEU poderá ir além do território onde se insere, contribuindo para reposicionar Portugal no mapa cultural europeu.

Ainda que o dia de abertura ao público seja de acesso gratuito, a organização apela à população que faça a pré-reserva de bilhete a partir de quinta-feira, data em que o site oficial do MUZEU fica acessível. O objetivo passa por orientar os acessos, assegurando uma circulação mais regrada e confortável para todos.

O MUZEU será inaugurado na quinta-feira com a presença do Presidente da República, António José Segura que estará pela primeira vez na cidade na qualidade de Presidente. Entre as figuras que vão marcar presença no dia da inauguração oficial destaque ainda para Tolentino de Mendonça.

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Elsa Moura
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Diretora de Informação

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Abel Duarte
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