Centro de arbitragem do comércio entre prioridades de novo mandato da AEB com Daniel Vilaça

Daniel Vilaça foi esta segunda-feira reeleito presidente da Associação Empresarial de Braga depois de se apresentar como candidato único ao cargo. No novo mandato apresenta-se com vários desafios, nomeadamente a instalação do Tribunal Arbitral do Comércio que vai ajudar os empresários da região norte do país a acelerar processos. A delegação de competências do município para a gestão dos parques industriais poderá em breve concretizar-se permitindo cumprir mais um objetivo: melhorar a imagem e serviços envolventes para a comunidade empresarial inserida nestes parques industriais.
Após um primeiro mandato “claramente positivo”, Daniel Vilaça confidenciou à RUM que os últimos quatro anos foram marcados por maior proximidade às empresas, crescimento do número de associados e reforço da atividade formativa.
Em entrevista de balanço e projeção de futuro, o dirigente sublinha que este foi um ciclo de “afirmação” da associação, que ultrapassou os 1.100 associados — o valor mais alto da última década — e consolidou a sua presença junto do tecido empresarial.
“Estivemos mais próximos das empresas e tivemos resultados positivos, quer nas contas, quer no trabalho desenvolvido”, afirma.
Formação e apoio às empresas em destaque
Entre os principais indicadores apresentados, destaque para a aposta na formação, que envolveu cerca de 11 mil pessoas nos últimos quatro anos. A associação tem vindo a adaptar a oferta às necessidades do mercado, com cursos em áreas como inteligência artificial, marketing digital, línguas ou competências técnicas específicas.
Além disso, o serviço de apoio jurídico e ao associado registou cerca de 14 mil interações, refletindo uma procura crescente por acompanhamento especializado.
A estratégia passou também pela diversificação da base associativa, tradicionalmente ligada ao comércio e restauração. Atualmente, setores como a indústria e a construção já representam cerca de 12% dos associados.
Contas positivas e redução da dívida
Do ponto de vista financeiro, a associação mantém resultados positivos há uma década. Durante o último mandato, foi possível reduzir a dívida em cerca de 15%, situando-se atualmente nos 1,2 milhões de euros.
Apesar disso, Vilaça garante que a estrutura é “financeiramente sólida”, sublinhando que o património da instituição supera o valor da dívida.
Lista única reflete confiança dos associados
A recandidatura de Daniel Vilaça surge sem oposição, cenário que o próprio interpreta como sinal de confiança dos associados no trabalho desenvolvido.
“O facto de nos apresentarmos como lista única é uma prova de que os associados acreditam no nosso trabalho”, refere, acrescentando que a continuidade da equipa — com algumas renovações e maior presença feminina — visa dar seguimento a projetos ainda em curso.
Tribunal arbitral e apoio ao comércio no centro das prioridades
Para este novo mandato que agora se inicia, a criação de um Centro de Arbitragem Comercial do distrito de Braga surge como uma das principais apostas. O projeto, desenvolvido em parceria com a Escola de Direito da Universidade do Minho, pretende agilizar a resolução de conflitos entre empresas e entre empresas e o Estado.
Segundo Daniel Vilaça, que é também empresário, enquanto os processos nos tribunais administrativos podem demorar entre 10 a 12 anos, este novo mecanismo poderá permitir decisões em três a seis meses, perspetivando que o tribunal – que vai funcionar nas próprias instalações da AEBraga, entre em funcionamento ainda em 2026. Além dos empresários do distrito de Braga terá capacidade para responder a pedidos de empresários de todo o norte do país.
Outro eixo estratégico passa pela criação de uma aceleradora de novos negócios, com foco no comércio e na economia urbana, numa tentativa de contrariar o declínio do centro da cidade.
“É preciso dar oportunidade aos jovens para criarem empresas no comércio e revitalizar os centros urbanos”, defende.
A modernização das instalações da associação e o reforço da proximidade às empresas completam o conjunto de prioridades para os próximos quatro anos.
