Oito noites, 1ME e toda a cidade convidada. AAUMinho faz ‘all-in’ no Enterro da Gata mais ambicioso da história

As Monumentais Festas do Enterro da Gata de 2026 preparam-se para bater recordes. Não apenas pela inédita extensão para oito noites de festa no Fórum Braga, de 8 a 16 de maio, mas pelo reforço financeiro e logístico exigido à Associação Académica da Universidade do Minho (AAUMinho). Numa altura em que o cartaz já se encontra fechado, a estratégia é clara: afastar o fantasma da quebra de 2025, que resultou num prejuízo na ordem dos 18 mil euros, abrir o recinto à cidade e usar o evento para alavancar investimentos estruturais para a associação académica.
Um Milhão de Euros Para Voltar aos Lucros
O plano de atividades e orçamento para 2026, apresentado na Reunião Geral de Alunos na reta final de março, espelha a ambição e exigência para esta edição do evento: pela primeira vez, a estrutura associativa ultrapassa a barreira do milhão de euros em investimento. Embora estes valores sejam ainda uma previsão orçamental provisória e, como tal, sujeitos a variações até ao fecho de contas , os custos estimados são pesados: só a contratação de artistas prevê absorver 234 mil euros, a que acrescem 174.500 euros estimados para a produtora. A necessidade de garantir um evento blindado traduz-se numa verba previsional de 136 mil euros para Segurança e Policiamento. Luís Guedes, presidente da AAUMinho, assume que este é um momento de ‘all-in’. Prevendo que a associação deverá “atravessar o milhão [de euros] este ano” em investimentos, o dirigente mostra-se confiante de que as receitas acompanhem este esforço histórico, garantindo “uma margem confortável para fazer ajustes” a todos os encargos exigidos pelo evento.
A expectativa é que o retorno financeiro desta edição permita à associação canalizar fundos não só para garantir o funcionamento de dezenas de atividades culturais, sociais e desportivas ao longo do ano, mas sobretudo para alavancar o seu maior projeto estrutural: a construção da nova sede no campus de Gualtar. Com o projeto de execução previsto ainda para este mês e perante a degradação das atuais instalações, o lucro do Enterro da Gata será um reforço decisivo para juntar ao fundo de 1,9 milhões de euros que a estrutura estudantil amealhou nas últimas duas décadas para erguer o novo edifício.

O Desafio de Unir a Cidade e a Estratégia de Cartaz
Para assegurar o regresso aos lucros, a AAUMinho traçou um plano para alargar o seu público-alvo. O Enterro da Gata já não quer ser visto apenas como uma festa para jovens universitários, mas sim como um evento eclético. apaz de atrair e unir toda a cidade no Gatódromo. A construção do cartaz teve esse propósito em mente, cruzando intencionalmente vários estilos musicais para servir de ponte entre as diferentes faixas etárias.
O primeiro sábado do evento (dia 9) é o reflexo mais evidente desta aposta. Com a Imposição de Insígnias e a Missa de Finalistas a trazerem milhares de famílias ao Santuário do Sameiro e à Penha durante o dia, a noite será entregue aos Dealema, que assinalam 30 anos de carreira e aos grandes fenómenos de popularidade Os Quatro e Meia. O objetivo é transformar o Fórum Braga num verdadeiro ponto de encontro para todas as gerações.
“Foi uma jogada estratégica para começarmos em grande e na lógica da aproximação à cidade. É um dia que tem claramente essa tónica, por ser o sábado de arranque e por coincidir com a Imposição de Insígnias e a Missa de Finalistas. Naturalmente, há uma aglomeração muito grande de famílias na zona de Braga, que vêm com o objetivo de ver os seus filhos, muitos deles finalistas, a terminarem uma etapa. Deixamos o repto para que todas as famílias descubram, pelo menos uma vez, o recinto das Monumentais Festas do Enterro da Gata e o Gatódromo.”
A vontade de quebrar o estigma associado às festas académicas noturnas é assumida pela direção, que sublinha as condições de segurança de um recinto preparado para acolher até 14 mil pessoas nas noites de palco exterior.

“Queremos mesmo muito ter mais cidade connosco e conseguir mostrar aquilo que é um evento que na prática não deve assustar os mais velhos… deve juntar gerações.”
O Cenário Apocalíptico de “A Gata Dispara(tada)”
A par das contas e da música, a identidade do Enterro da Gata mantém-se ancorada na crítica social. A Gata de 2026 apresenta-se “Dispara(tada)”, não por ingenuidade, mas como reflexo do caos. O cartaz oficial revela uma imagem gráfica dura, transportando-nos para um cenário de pós-guerra, onde a figura felina se senta a ler um jornal recheado de manchetes satíricas sobre as recentes decisões dos “grandes pequenos líderes mundiais”.
“A gata está a ler um jornal sentada e por trás de si uma janela com um cenário apocalítico, pós-guerra ou durante guerra, depende da interpretação.”
A engrenagem do Enterro da Gata movimenta números impressionantes. Cerca de 400 pessoas, entre organização, seguranças, polícias, bombeiros e equipas médicas, vão trabalhar em cada uma das oito noites.
Os passes gerais para os sócios da AAUMinho, válidos para os oito dias de festa, já estão à venda em formato online e presencial. A primeira fase decorre até 21 de abril, fixando o preço nos 51 euros. A 2.ª fase avança para os 56 euros (de 22 de abril a 1 de maio) e a 3.ª fase atinge os 58 euros (de 2 a 8 de maio). Todas as informações, horários e programa cultural completo (incluindo o Velório da Gata e o Cortejo Académico) encontram-se disponíveis no portal oficial enterrodagata.pt.
