Prémio Victor de Sá, André Costa Pina, apela à valorização do trabalho de investigação

André Costa Pina é o vencedor do Prémio Vítor de Sá de História contemporânea, atribuído pelo Conselho Cultural da Universidade do Minho (UMinho). O investigador foi distinguido pela investigação “Os primeiros comunistas portugueses: A estruturação do Partido Comunista Português (1921-1943)”, a primeira análise relativa aos primeiros tempos do PCP.
A cerimónia de atribuição deste galardão teve lugar no Salão Nobre da Reitoria, no Largo do Paço, em Braga, na tarde da passada sexta-feira que contou no mesmo local com a cerimónia de tomada de posse do novo Conselho Cultural da UMinho.
Em declarações à RUM, André Costa Pina manifestou satisfação por receber esta distinção. Fala de uma “grande honra” por ver o seu trabalho reconhecido em nome do professor Vítor de Sá, “uma personalidade muito importante de Braga e um resistente antifascista”. Um momento importante, que espera que venha a servir de exemplo para impulsionar a valorização da trabalho de investigação.
“É muito importante dar reconhecimento a investigadores, tal como eu, que trabalham nesta área e que precisam de ser mais reconhecidos em Portugal.”
André Costa Pina
O estudo envolveu análise documental a quase 1700 militantes do PCP. O resultado manifestou-se numa nova leitura sobre o papel de jovens comunistas na constituição do partido, além da apresentação de novos conceitos relevantes para o estudo deste campo ideológico em Portugal.
A investigação do laureado confirma caraterísticas base do comunista no período de criação do partido: trabalhador na indústria metalúrgica, motivado por um “grande fervor revolucionário” e inspirado na Revolução Russa, sempre com muita esperança no futuro e na criação de uma sociedade nova.
A grande maioria de Lisboa, mas Braga e a região do Minho destacaram-se com “alguma presença”.
Foi, ainda, atribuída uma menção honrosa a André Fernandes, investigador da Universidade do Minho que concluiu uma dissertação no mestrado em História.
O seu estudo procurou entender como sindicatos angolanos utilizaram a organização laboral para rejeitar o colonialismo e promover a autodeterminação.

O Prémio Vítor de Sá de História Contemporânea vai na 34.ª edição. Este ano, a disputa esteve equilibrada e fez-se marcar por uma forte adesão. Foram submetidas a análise do júri um total de oito obras: quatro teses de doutoramento e quatro dissertações de mestrado.
A presidente do júri, Alexandra Esteves, garantiu que “a decisão não foi fácil” até porque “ficou marcado pela forte adesão de candidatos”.
“A obra do André Pina distinguiu-se pela qualidade, pela inovação, pela relevância da temática, uma vez que ele se propôs a estudar os primeiros anos do Partido Comunista em Portugal, durante as décadas de 20 e 40 do século passado, e achamos que efetivamente sobressaía, digamos, num panorama de grande qualidade.”
Alexandra Esteves, presidente do júri do Prémio Vítor de Sá

Já a presidente do Conselho Cultural da UMinho, Manuela Ivone Cunha, assinalou a relevância deste prémio, que caracteriza como o mais prestigiado prémio de história contemporânea nacional para jovens investigadores.
“É uma honra caber ao Conselho Cultural a organização e a atribuição deste prémio. Vai já na 34.ª edição, portanto esta continuidade mostra bem a sua solidez e a importância. É uma distinção realmente muitíssimo prestigiante.”
Manuela Ivone Cunha, presidente do Conselho Cultural da UMinho
Eis a nova equipa que completa o conselho Cultural presisido por Manuela Ivone Cunha

À Cerimónia de entrega do Prémio Victor de Sá seguiu-se a cerimónoa de tomada de posse dos novos membros do Conselho Cultural da UMinho, presidido por Manuela Ivone Cunha.
Uma reestruturação que surge com “uma visão mais equilibrada, com o objetivo de representar entidades de Braga e Guimarães”, afiançou Manuela Ivone Cunha.
A presidente fez questão de sublinhar que as perspetivas para o o futuro estão alinhadas com as da equipa reitoral.
Ao reitor da Universidade do Minho coube a responsabilidade de escolher dez personalidades com intervenção relevante nos municípios vizinhos para integrar a estrutura, entre eles, diretores(as) de museus, bibliotecas, associações e espaços artísticos de Braga, Guimarães e Famalicão.
Um aposta fundamental para Pedro Arezes, que defende que “o sucesso da ativação cultural da Universidade passa por estabelecer rede com os municípios, com as entidades ligadas à cultura”. Agora pede “dinamismo” à nova equipa para que o Conselho Cultural desempenhe um papel importante na academia e na região.
Quanto ao futuro, sabe-se já que o ‘Festival de Outono’ estará de regresso, num formato ligeiramente diferente e com novo nome: ‘Festival Recomeço’. Vai decorrer numa nova data, entre os dias 17 e 19 de outubro, coordenado com a Receção ao Caloiro e o programa de acolhimento.
Equipa Conselho Cultural da UMinho
- Presidente – Manuela Ivone Cunha;
- Responsáveis das unidades culturais:
- Arquivo Distrital de Braga – Sandra Meneses;
- Biblioteca Pública de Braga – Márcia Oliveira;
- Museu Nogueira da Silva e Casa Museu de Monção – António Gonçalves;
- Unidade de Arqueologia – Helena Paula Carvalho;
- Centro de Estudos Lusíadas – Álvaro Sanromán;
- Casa do Conhecimento – (a designar brevemente);
- Museu Virtual da Lusofonia – Isabel Moreira Macedo;
- Os presidentes das unidades orgânicas ou seus representantes:
- Escola de Ciências – João Paulo André;
- Escola de Engenharia – António Vicente;
- Instituto de Educação – Maria Helena Vieira;
- Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas – Maria do Carmo Mendes;
- Instituto de Ciências Sociais – Arnaldo Melo;
- Escola de Economia, Gestão e Ciência Política – Carlos Menezes;
- Escola de Direito – Pedro Jacob Morais;
- Escola de Medicina – António Gil Castro;
- Escola de Arquitetura, Arte e Design – Pedro Bandeira;
- Escola de Psicologia – Ângela Maia;
- Escola Superior de Enfermagem – Ana Paula Macedo;
- Instituto de Investigação I3Bs – Natália Alves;
- Estudante – Sofia Ribas.
- Lista de personalidades externas à UMinho:
- Aida Alves – diretora da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva;
- Álvaro Santos – diretor da Casa das Artes de Famalicão;
- Fátima Pereira – diretora Museu dos Biscainhos;
- João Antero Ferreira – presidente da Sociedade Martins Sarmento e da Casa de Sarmento);
- Luís Fernandes – diretor artístico do Faz Cultura;
- Manuel Sarmento – presidente da ASPA;
- Maria José Sousa – diretora do Museu D. Diogo de Sousa;
- Rui Torrinha – direção Artística CCVF e Artes Performativas d’A Oficina;
- Rui Vítor Costa – presidente da associação Muralha;
- Sun Lam – Instituto Confúcio.
