Sem-abrigo em Braga duplicam em três anos. Cruz Vermelha alerta para quebra das respostas sociais

Atualmente, existem entre 55 e 60 pessoas identificadas e acompanhadas pela entidade.
Palavras de Nuno Rodrigues e Júlio Guedes.

O número de pessoas a viver nas ruas de Braga duplicou nos últimos “dois a três anos”. Atualmente, existem entre 55 e 60 pessoas identificadas e acompanhadas pela Cruz Vermelha de Braga. De acordo com Nuno Rodrigues, adjunto executivo da entidade, estes são os casos sinalizados, mas o número real pode ser ainda superior.

Há cerca de três anos, recorda, a média situava-se entre as 25 e as 30 pessoas, o que demonstra um agravamento acelerado da situação social na cidade.

O custo elevado das rendas e a falta de acesso a uma habitação digna estão a criar uma pressão cada vez maior sobre as ofertas de apoio, ressalta. Esta realidade gera um efeito de “entupimento” no sistema: sem conseguirem transitar para habitações permanentes, os utentes permanecem mais tempo nas respostas de alojamento, impedindo a entrada de novas pessoas.

Nuno Rodrigues adianta que a entidade tem recebido mais pedidos do que aqueles que consegue acolher, enfrentando uma problemática multidisciplinar que envolve “desde o isolamento social, que pode ser ou não de comportamentos aditivos e dependências, além da saúde mental”. “Estamos a falar de pessoas em grave situação de exclusão social”, sublinha.


A tendência de crescimento é visível num curto espaço de tempo. Em dezembro do ano passado, por altura do Natal, o número de sinalizados já tinha subido para 50. Júlio Guedes, presidente da entidade, alerta que a instabilidade no mercado de trabalho e eventuais insolvências em setores de mão de obra intensiva podem agravar o cenário, podendo chegar à “centena de casos em meia dúzia de meses”.

Face a esta realidade, a Cruz Vermelha de Braga promove, no próximo dia 8, um “debate muito profundo” que contará com especialistas nacionais e internacionais. Sublinha, entranto, que é necessário repensar as metodologias e o apoio prestado a “esta franja da população”, com o objetivo de procurar novos instrumentos e abordagens que a sociedade deve adotar perante este desafio comum.

Em 2026, duas pessoas a viver nas ruas de Braga morreram

Revela que, “ao contrário de anos anteriores”, este ano já se registaram dois óbitos entre a população que vive sem teto na cidade. Alerta, entretanto, que os óbitos não estão relacionados diretamente com o facto de viverem nas ruas.

O presidente da Cruz Vermelha de Braga confessa o impacto emocional que estas perdas têm na instituição, reconhecendo que cada morte é vista como um sinal de que ainda há mais a fazer na prevenção e no apoio a estas pessoas. “Dedicamo-nos de corpo e alma a reduzir o sofrimento e sofremos emocionalmente também quando isto acontece”, remata o responsável.

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Marcelo Hermsdorf
Marcelo Hermsdorf

Jornalista na RUM

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