Lucky Star recorda Hannah Arendt com ciclo de cinema ‘Contra a Banalidade do Mal’

O LuckyStar – Cineclube de Braga apresenta em abril um ciclo dedicado à reflexão sobre o autoritarismo e a resistência. Com o título ‘Contra a Banalidade do Mal’, alusivo à obra de Hannah Arendt, a seleção de filmes pretende revisitar a história através do cinema para denunciar a autoritarismo e a guerra, afirmando-se contra a “hiper-normalização da violência e da apatia” que se observa em tempos de conflito, como descreve à RUM, a programadora do espaço, Jéssica Ferreiro.
A programação arranca esta terça-feira com ‘O Ovo da Serpente’, de Ingmar Bergman, que acompanha Abel Rosenberg, um acrobata judeu desempregado na Berlim da República de Weimar. Após o suicídio do seu irmão, Abel procura refúgio no apartamento de um antigo conhecido, um professor cientista, mas acaba por descobrir um “terrível segredo” que se esconde por trás do trabalho deste professor.
Na semana seguinte, a 14 de abril, é exibido ‘Ascensão’, da realizadora soviética Larisa Shepitko. O filme de 1977 decorre durante a Segunda Guerra Mundial e foca-se em dois soldados soviéticos que se afastam do seu pelotão em busca de mantimentos, vendo-se em perigo quando os alemães chegam primeiro ao local.
No dia 21 de abril, o ciclo continua com ‘Europa Europa’ (também conhecido como ‘Filhos da Guerra’), de Agnieszka Holland. A obra baseia-se na história verídica de Solomon Perel, um adolescente judeu que, ao ser separado da família, acaba num orfanato russo e consegue convencer os soldados nazis de que é ariano. Graças à sua fluência em alemão e russo, ele torna-se um intérprete importante e chega a frequentar uma escola de elite da Juventude Hitleriana, escondendo a sua identidade durante toda a guerra.
O ciclo encerra a 28 de abril com ‘A Zona de Interesse’, de Jonathan Glazer. O filme retrata a “banalidade do mal” ao mostrar o quotidiano de Rudolf Höss, diretor do campo de concentração de Auschwitz, e da sua esposa Hedwig, enquanto tentam construir uma vida idílica numa casa encostada ao muro do campo, onde o horror surge apenas através de pequenos detalhes do quotidiano em segundo plano.
As sessões ocorrem no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva sempre pelas terças-feiras às 21h30.
