José Palmeira. Uso das Lajes pelos EUA reflete “diplomacia de maior prudência” de Portugal

A posição diplomática de Portugal no atual cenário de conflito internacional, na guerra entre os Estados Unidos e Israel com o Irão, é definida por uma “diplomacia de maior prudência” em comparação com parceiros europeus como Espanha, França e Itália, que rejeitaram o uso de bases nacionais para as operações militares norte-americanas.
Esta postura é fundamentada pela identidade de Portugal como uma “potência atlântica”, segundo o investigador em ciência política da Universidade do Minho (UMinho), José Palmeira.
À RUM, o especialista aponta que o país conta com uma condição geográfica e estratégica que historicamente vincula o país à potência marítima dominante — antes o Reino Unido e, atualmente, os Estados Unidos. Ainda, a proximidade dos Açores ao território norte-americano reforça esta necessidade de alinhamento.
No centro desta estratégia está a utilização da Base das Lajes. Portugal tem procurado manter a ligação aos Estados Unidos sob o argumento de que a utilização desta infraestrutura possui um “carácter defensivo e não ofensivo” no apoio às operações norte-americano-israelitas, ainda que José Palmeira note que, na prática, essa distinção possa ser questionável.
Posição que foi reforçada pelo ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, esta quarta-feira, durante uma audição na comissão de Assuntos Europeus, na Assembleia da República. O governante garantiu que a utilização do espaço foi determinada por critérios do acordo entre Portugal e os EUA e que o país não se envolveu na guerra.
Esta política não é vista como uma falta de autonomia ou um estado de “mãos atadas”, para José Palmeira, mas sim como uma escolha pragmática para defender o interesse nacional. O especialista reforça que esta orientação diplomática transcende a cor política do governo atual, argumentando que um executivo do Partido Socialista dificilmente adotaria uma postura diferente, uma vez que a realidade portuguesa é distinta da de outros países mediterrânicos ou continentais.
