Autismo. Intervenção nas escolas ajudaria a preparar jovens para o mundo do trabalho

Eduardo Ribeiro defende mais apoio às famílias, melhor preparação das escolas e adaptação do mercado de trabalho, mas admite que os pais deveriam ser os primeiros a exigir desde cedo um futuro seguro para os seus filhos.
Declarações de Eduardo Ribeiro, presidente da AIA

A intervenção precoce, a falta de respostas para adultos e a necessidade de maior apoio às famílias continuam a ser os principais desafios na área do autismo segundo Eduardo Ribeiro, presidente da Associação de Apoio e Inclusão ao Autista (AIA) de Braga, numa entrevista ao programa da RUM Campus Verbal no âmbito do Dia Mundial da Consciencialização para o Autismo, assinalado a 2 de abril.

Um dos maiores problemas, segundo o responsável, surge quando os jovens com autismo atingem a idade adulta. Muitos não têm acesso a emprego nem a respostas sociais adequadas, como centros de atividades e capacitação, devido à falta de vagas.

Eduardo Ribeiro defende que a transição da escola para a vida adulta deveria ser preparada mais cedo, com planos de transição e experiências em contexto de trabalho, mas admite que as escolas não têm recursos humanos nem financeiros suficientes para o fazer.

Intervenção precoce e falta de respostas continuam a ser os maiores desafios do autismo, alerta presidente da AIA

O responsável defende que o investimento nas terapias nos primeiros anos de vida é determinante para o futuro das crianças com autismo, permitindo aumentar a autonomia e a inclusão na sociedade. No entanto, sublinha que muitas famílias suportam os custos das terapias, uma vez que os apoios do Estado são insuficientes e inexistentes na maior parte dos casos.

Segundo Eduardo Ribeiro, a aposta deve ser feita nos primeiros anos de vida, especialmente entre a creche e o pré-escolar, fase considerada essencial para o desenvolvimento das crianças com perturbação do espectro do autismo.

Apesar da importância da intervenção precoce, a maioria das terapias não tem apoio estatal, sendo as famílias a suportar grande parte dos custos, o que acaba por limitar o número de sessões que as crianças podem frequentar.

O aumento do número de diagnósticos de autismo nos últimos anos deve-se, em grande parte, a uma maior sinalização e a um conceito mais abrangente do espectro do autismo. Enquanto no início dos anos 2000 a prevalência era muito reduzida, atualmente estima-se que exista um caso por cada 100 pessoas.

Em Braga, a estimativa aponta para mais de duas mil pessoas dentro do espectro do autismo, embora não existam números oficiais, uma vez que não há uma monitorização nacional precisa.

Formação nas escolas para auxiliares e educadores é fundamental, mas continua a falhar. IEFP poderia ser uma solução viável

O presidente da AIA considera também que é necessário investir mais na formação de assistentes operacionais, professores e educadores, uma vez que são estes profissionais que lidam diariamente com as crianças e jovens nas escolas.

Embora exista legislação para a inclusão, o responsável afirma que o principal problema está na falta de recursos para aplicar essas medidas na prática.

“O que vemos são pessoas com uma vontade enorme de estar, que por vezes a sua forma de estar encaixa de facto na problemática e na resposta à problemática de umas ou outras crianças, mas que a maior parte anda ali que não percebe muito bem o que vai fazer. Portanto, essa necessidade de formação a começar pelas assistentes operacionais e depois para a parte educativa, também deveria ser feita”, sublinha. 

Outro dos desafios identificados é o apoio psicológico e social às famílias.

A associação promove reuniões de partilha entre pais, mas a participação tem vindo a diminuir ao longo dos anos, facto lamentado pelo dirigente que considera relevante o envolvimento dos pais até porque também dependerá da força deles a criação de mais respostas para o futuro dos seus filhos.

Caminhada solidária agendada para 19 de abril no centro da cidade de Braga

A AIA vai voltar a organizar a sua caminhada solidária anual, marcada para 19 de abril, uma iniciativa que tem como objetivo sensibilizar a população para o autismo e angariar fundos para ajudar a financiar terapias e apoiar a sustentabilidade da instituição.

Como anualmente acontece o nosso principal patrocinador e apoiante é a Jerónimo Martins e podem em qualquer loja do Pingo Doce, da zona de Braga e não só, comprar o ticket de caminhada, que poderá servir para no dia da caminhada levantar uma t-shirt, uma maçã e uma garrafa  de água para caminhar, ou então será um apoio à instituição. O objetivo é a sensibilização da pessoa à informação”, aponta.

Atualmente, a associação acompanha dezenas de crianças e adultos, mas continua a enfrentar dificuldades, nomeadamente na contratação de terapeutas da fala e terapeutas ocupacionais, uma carência que se verifica a nível nacional.

Eduardo lança uma mensagem forte à sociedade em geral e admite que a sociedade “é muito intolerante” e em determinados contextos sociais a reação é errada.

A entrevista completa no Campus Verbal pode ser escutada em podcast

A associação tem dois espaços principais: A sede e Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão na freguesia de Palmeira e o Centro de Terapias em Regime de Ambulatório na freguesia de S. Vicente.

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Elsa Moura
Elsa Moura

Diretora de Informação

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