Guimarães quer posicionar-se na nova economia do Espaço

O Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto recebeu luz verde para instalar na Fábrica do Alto, em Guimarães, uma unidade de produção e teste de satélites óticos com a autarquia vimaranense a dar mais um passo na estratégia de posiciomamento na economia do espaço e de dados.
A cedência do edifício foi aprovada esta semana, em sede de reunião camarária, com elogios de todas as forças políticas – e com PS e coligação Juntos por Guimarães em “sintonia” na estratégia de diversificação do tecido económico, num sinal de posicionamento estratégico na nova economia aeroespacial.
Tudo começou em outubro de 2024 através da formalização da Associação Space Hub apresentando como sócios promotores a UMinho e o CEiiA. Ricardo Costa, vereador do Partido Socialista aconselhou o presidente do município vimaranense a envolver mais entidades, parceiros e empresas para que Guimarães se possa afirmar nesta dimensão, sugerindo que se congreguem empresas e estruturas “encontrando um mecanismo para diversificação de áreas de negócio”.
Em resposta, o presidente da autarquia, Ricardo Araújo, notou que Guimarães está a posicionar-se para estar “na linha da frente na economia do espaço”.
“Temos hoje um contexto de inovação que é propício a que isso possa acontecer e Guimarães se possa posicionar para atrair investimento e para apoiar o investimento até na criação de empresas e de negócio. Vemos nesta nova economia do Espaço um fortíssimo potencial”, evidenciou o autarca.
Em 2024 era lançada em Guimarães a Associação Space Hub com a missão de diversificar a indústria vimaranense e envolvendo de forma particular a Universidade do Minho e o CEiiA.
Ricardo Araújo disse também, na reunião camarária desta segunda-feira, que o que estava previsto inicialmente para a Fábrica do Alto “não se vai perder”.
“Vamos trabalhar para densificar o projeto. Acho que não está numa fase de maturidade suficiente, mas estamos a trabalhar nisso com estes parceiros. É absolutamente decisivo alavancarmos esta transição económica e diversificação que queremos fazer. Ao apostarmos nisto não estamos a desistir do outro, acho é que precisa de ser apurado e estamos a trabalhar nisso com os parceiros”, esclareceu.
O investimento da primeira fábrica de satélites óticos em Portugal estava previsto para outro sítio, informou também o autarca, realçando a conquista da cidade berço neste domínio.
O que são satélites óticos?

O concelho de Guimarães prepara-se assim para acolher a primeira fábrica em Portugal para fabricação de satélites. São satélites artificiais de observação da Terra que utilizam sensores para detetar a luz visível, infravermelha próxima e infravermelha de ondas curtas para captar imagens da superfície terrestre funcionando como “olhos no espaço”, criando fotografias de alta resolução que permitem monitorizar o planeta com grande nível de detalhe.
São amplamente usados para monitorização de ecossistemas, agricultura de precisão, controlo de desflorestação, gestão de recursos hídricos e avaliação de danos causados por catástrofes naturais, como inundações e incêndios.
O contrato de comodato com o CEiiA é válido por 25 anos, sendo automaticamente renovado por períodos de um ano, com as obras de adaptação, reabilitação e conservação a cargo da instituição sediada em Matosinhos.
