CMB aprova mais 140 dias para concluir Musealização das Carvalheiras

A empreitada de Musealização da Área das Carvalheiras – que inclui a Área Arqueológica, o Centro de Interpretação e a área envolvente, – vai demorar mais tempo a ficar concluída.
Esta manhã de quarta-feira, o executivo municipal bracarense votou a prorrogação do prazo da obra por mais 140 dias, apontando o seu término para 18 de agosto.
A proposta foi aprovada, embora tenha contado com a abstenção de toda a oposição.
A questão sobre os motivos deste atraso foi levantada na reunião do executivo pelo vereador do ASB, Ricardo Silva. Na resposta, Carlos Rodrigues, diretor do departamento de obras municipais, justificou a derrapagem nos prazos com o mau tempo, apontando circunstâncias imprevistas no decorrer dos trabalhos, nomeadamente as intempéries, bem como a complexidade da obra.
No período de balanço no final da reunião, Ricardo Silva (ASB) demonstrou preocupação com as consequências destas sucessivas derrapagens, lembrando que este é já o terceiro aditamento. “A previsibilidade é a imprevisibilidade arqueológica”, ironizou o vereador, alertando para a fatura extra que sairá dos cofres do município: “O mais relevante hoje é que nós vamos assistindo a pedidos de dilatamento de prazos com consequências remuneratórias ou indemnizatórias por parte do empreiteiro. Nós temos que pagar ao empreiteiro cada vez que ele decide dilatar o prazo”.
Confrontado com as críticas e com o novo calendário, o presidente da Câmara Municipal, João Rodrigues, confirmou os constrangimentos, referindo que “as intempéries fizeram com que a obra fosse tendo alguns problemas” e abordando “a questão do muro que ruiu”. Contudo, apesar de o prazo administrativo se estender agora para o verão do próximo ano, o autarca garantiu aos jornalistas que a meta de abertura não mudou: “Para mim, o mais importante é ter a obra inaugurada este ano e nós vamos fazer tudo para inaugurá-la este ano”.
Recorde-se que já no decorrer dos trabalhos, no ano transato, o presidente da autarquia de então, Ricardo Rio, apontava para a inauguração da obra a tempo da edição da Braga Romana, que decorrerá de 20 a 24 de maio.
Afinal, no que consiste este novo espaço arqueológico que vai entrar no roteiro turístico de Bracara Augusta?
Fernanda Magalhães, da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho explicava no ano passado, numa visita aos trabalhos no terreno, que apenas com uma visita ao parque, as pessoas conseguirão “ter uma ideia de como era a casa romana”. Ainda assim, para quem optar pela visita ao Centro Interpretativo, terá oportunidade de uma experiência autêntica dentro de uma zona arqueológica.
“A ideia é que as pessoas tenham uma imersão dentro do espaço. Nas termas romanas queremos recriar os sons para que se perceba como se fazia quando as pessoas chegavam (…) na área mais pública, onde o senhor da casa estaria a receber também queremos recriar toda essa vivência”, detalha. As pessoas vão perceber “o que é que era viver numa casa romana da elite da cidade”, simplifica. Além disso serão colocados conteúdos multimédia para acompanhar a experiência.
Todas as ruínas arqueológicas estão devidamente preservadas. A propósito do betão visível no parque, a arqueóloga reitera que à quota onde estão ruínas, elas estão protegidas. “Dentro da zona das ruínas, todas foram respeitadas. [Estamos a ver betão], mas se queremos fazer um sítio único, precisamos de betão para o ancorar. Será camuflado, com árvores. É preciso esperar até março”, explica.
No local da casa romana, a mesma será recriada com uma estrutura metálica. A responsável sustenta que nunca se pretendeu “um Portugal dos pequeninos”.
“Não queríamos fazer uma réplica. A estrutura metálica a colocar vai permitir recriar como seria o telhado da casa, mas mantendo as ruínas no nível em que estão. Não vamos recriar em altura os muros da casa nem as paredes interiores. As paredes interiores vão ficar como estão, vamos é usar elementos multimédia que nos vão permitir recriar como seriam essas paredes”, descreve. “Não queríamos restaurar em massa, e hoje em dia esse tipo de projetos também não se faz”, completou.
[notícia atualizada às 14h40 com as declarações do vereador do ASB e do presidente da CMB]
