Saúde Mental na UMinho. Projeto Prometeu propõe criação de Observatório e alerta para a necessidade de mais recursos

O projeto Prometeu, o primeiro estudo a traçar o retrato da saúde mental e bem-estar de toda a comunidade da Universidade do Minho, conclui que há uma falta crítica de recursos humanos para dar resposta aos pedidos de ajuda psicológica. Os resultados foram apresentados em reunião do Conselho Geral (CG) e deixam várias recomendações para os órgãos de decisão da academia.

O peso do contexto académico na saúde mental
O estudo avaliou a prevalência de sintomas psicológicos junto de estudantes, docentes, investigadores e pessoal técnico, administrativo e de gestão. A principal evidência científica extraída demonstra que os problemas de saúde mental resultam de uma interação complexa entre vulnerabilidades pessoais e fatores do contexto institucional.
Segundo a investigação, variáveis como a satisfação com as condições de trabalho, os processos organizacionais e a indiferença ao estigma funcionam como elementos cruciais para proteger a comunidade académica contra a depressão, ansiedade e burnout.
Listas de espera agravam problemas
Durante a apresentação ao Conselho Geral, a coordenadora do projeto e docente universitária, Eugénia Ribeiro, sublinhou a escassez de profissionais de apoio. Para um universo de cerca de 20 mil estudantes, a academia dispõe de recursos muito parcos, o que obriga a listas de espera de meses e acaba por compactuar com o agravamento clínico de quem procura ajuda.
A necessidade de materializar o documento em ações práticas marcou a reunião. Paula Cristina Martins, coordenadora da Comissão Especializada de Estudos Estratégicos e Planificação de Atividades do Conselho Geral, tomou a palavra para pedir medidas concretas. A responsável admitiu que “lamentaria muito que este estudo não tivesse as devidas consequências” na instituição, questionando a equipa de investigação sobre o plano de ação: “Gostava de saber o reforço a que nível. Estamos a falar de competências específicas, estamos a falar de mais efetivos, de facilitação do acesso para que grupos?”.
As recomendações estratégicas

Para colmatar as falhas identificadas, a equipa de investigação propõe uma abordagem sistémica. Eugénia Ribeiro defendeu que é “importante integrar a saúde mental no plano estratégico” da universidade. A investigadora apontou ainda “a criação de um Observatório para a saúde mental e bem-estar”, uma estrutura que “poderia funcionar como um barómetro” para avaliar as práticas de promoção da saúde mental no terreno, garantindo assim que o estudo não será apenas uma “fotografia num determinado momento”.
Destacam-se, ainda, as seguintes recomendações:
- Reforço dos serviços: Aumento efetivo dos recursos humanos e melhoria da capacidade de resposta clínica.
- Ação preventiva: Promoção de ambientes colaborativos (networking), valorização do processo de ensino-aprendizagem e inclusão de informação sobre recursos de saúde mental em todas as unidades curriculares.
Seminário público em outubro
A Presidente do Conselho Geral, Maria Assunção Raimundo, assumiu o compromisso de utilizar o relatório para alicerçar futuras estratégias da universidade. A presidente garantiu que o órgão “está aberto” e que “aceita realmente esse repto e essas iniciativas”, desafiando a equipa do Prometeu a apresentar propostas operacionais que os conselheiros devam “apreciar e propor à universidade”.
Para garantir a transparência e a devolução dos dados à comunidade universitária, está já agendado um seminário público e eventuais workshops de formação para o próximo mês de outubro, mês em que se assinala o Dia Mundial da Saúde Mental.
