Licenciatura em Proteção Civil atrai cada vez mais profissionais no ativo

As celebrações do dia da licenciatura em Proteção Civil e Gestão de Território, esta quinta-feira, no campus de Azurém, serviram para valorizar o papel da formação académica no aprimoramento da atuação dos profissionais no terreno.
A instituição de ensino superior minhota estreou a licenciatura no ano letivo 2018/2019 e tem sido marcada pelo sucesso, não só porque está a formar profissionais que chegam pela primeira vez ao mercado de trabalho, mas porque é cada vez mais procurada por profissionais da Proteção Civil já no ativo, que optam por elevar o nível de competências através da formação académica, adquirindo ferramentas chave para os desafios que se colocam, nomeadamente no que respeita aos fenómenos de catástrofes naturais.
A manhã dedicada à valorização do curso no campus de Azurém contou com um leque de convidados com responsabilidades nacionais e regionais nesta área, nomeadamente o secretário de estado da Proteção Civil, Rui Rocha e Manuel Tibo recentemente nomeado presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Braga.
Na sua intervenção fez também questão de salientar a necessidade individual de salvaguardar os territórios.
“Quanto aos meses mais suscetível dos incêndios, cada um, o cidadão, aquele que tem o terreno, tem que o limpar. Fica o apelo para que cada um, individualmente, sinta esta obrigação de cuidar do seu espaço.”
Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil, em declarações exclusivas à RUM
Para promover uma boa atuação dos operacionais de socorro perante catástrofes, a formação académica surge como uma necessidade. A oferta formativa lançada pela UMinho em 2018/19 veio colmatar a necessidade do mercado de profissionais dotados de uma visão sistémica sobre a profissão.

É exatamente na investigação e no conhecimento que o secretário de Estado encontra um alicerce para a atuação dos profissionais. Em nome do Governo, demonstra-se bastante satisfeito por “ter instituições de ensino, como a Universidade do Minho, com formação nesta área”.
“Eu diria que é uma grande satisfação para o Governo, e eu enquanto Secretário de Estado, por perceber que estamos a formar gente que vai ser muito útil para este desafio coletivo que temos pela frente, que é de termos sempre uma Proteção Civil preparada, em prontidão e também adequada aos tempos que vivemos.”
Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil sobre a formação disponibilizada pela UMinho
Vivem-se tempos alarmantes, primeiro com os estragos provocados pelas recentes tempestades. Além disso, antecipa-se uma vaga de calor que poderá afetar o país com incêndios, sendo, por isso, cada vez mais importante falar de prevenção.
A capacidade de antecipação da ANEPC foi, exatamente, um dos temas em destaque.
Manuel Tibo, presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Braga, aproveitou para alertar para a necessidade de valorizar o papel da Proteção Civil além dos momentos de catástrofe. Para isso, é preciso uma aposta forte neste setor para, no final de contas, “termos mais qualidade de vida”.
“Eu acho que o caminho é mesmo este: de melhor preparação, mais conhecimento, mais equipamentos para podermos estar todos muito mais preparados.”
Manuel Tibo em declarações à RUM

Um curso “pioneiro”
São oito anos de um curso pioneiro no ensino público português, focado na segurança das populações.
O diretor do curso, Vítor Ribeiro, ressaltou que a licenciatura é já um sucesso consolidado, tendo já lançado estudantes para o mercado de trabalho.
A licenciatura arrancou no ano letivo 2018/19, com 20 estudantes, e conta agora com cerca de 70 inscritos, sendo que em 2025/26 o número de candidatos superou os colocados. São valores que fazem Vítor Ribeiro sorrir, por coordenar um curso de “sucesso”, que se destaca pela crescente procura, especialmente de profissionais que já estão no ativo.
“Cada vez mais, temos uma procura por parte dos alunos que querem ingressar nesta licenciatura, nomeadamente de técnicos municipais, de agentes bombeiros e da GNR. Tentam ingressar nesta licenciatura para adquirir conhecimentos e estarem mais dotados para uma área que é cada vez mais fundamental, a Proteção Civil.”
Vítor Ribeiro, diretor da licenciatura em Proteção Civil e Gestão de Território, sobre a procura pelo curso
Trata-se de um curso que, no Ensino Superior público português, apenas é oferecido pelas Universidades do Minho e dos Açores.
O pró-reitor para a Sustentabilidade e Infraestruturas Físicas, Tiago Miranda, sublinhou que esta formação é a resposta direta às novas realidades que convocam a intervenção da Proteção Civil.
“A Universidade do Minho conseguiu ajustar a sua oferta formativa às necessidades da sociedade e avançar com uma licenciatura que prepara profissionais para tratar esta realidade que hoje em dia nos convoca.”
O pró-reitor para a Sustentabilidade e Infraestruturas Físicas, Tiago Miranda, sobre a oferta formativa do curso

O painel contou ainda com a presença de João Sarmento, vice-presidente do Instituto de Ciências Sociais, Afonso Lopes, presidente da Direção da GeoPlanUM, Vítor Monteiro, assessor da presidência da CCDR-Norte, Vânia Dias, vereadora da Proteção Civil na autarquia de Guimarães, e Ricardo Machado, presidente do Instituto CCG/ZGDV.
