Celebração agridoce. Aos 50 anos, UMAR arrisca perder financiamento do projeto Art’Themis+

À RUM, a presidente da associação revela que o projeto está “em processo” para a continuidade do apoio, com “pendências de resposta relativamente aos governos de continuidade de financiamento”.
Palavras de Liliana Rodrigues.

A UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, assinala, em 2026, cinco décadas de luta pelos direitos das mulheres em Portugal. O movimento, que nasceu em 1976 focado na liberdade pós-ditadura e nas consequências da guerra colonial, consolidou-se como uma rede nacional de combate à violência estrutural.

Apesar das celebrações, há preocupações no horizonte. O ‘Art’Themis+’ um dos vários projetos na defesa dos direitos das mulheres enfrenta, atualmente, incertezas quanto à continuidade do financiamento governamental, lamenta Liliana Rodrigues, presidente da associação. À RUM, revela que o projeto está “em processo” para a continuidade do apoio, com “pendências de resposta relativamente aos governos de continuidade de financiamento”.

Em Braga, a UMAR local está profundamente envolvida no projeto, que funciona como o braço preventivo da associação. Como destaca a presidente, a UMAR Braga não só contribui para a monitorização nacional do feminicídio, como é parte ativa no terreno, que é “uma das grandes áreas nestes 50 anos”, sublinha.

Fotografia: UMAR Braga

A responsável, recorda que a associação que surgiu para “reivindicar direitos e liberdade” evoluiu para uma associação nacional, com preocupações nos “contextos de ação, não só a nível nacional, mas também a nível regional”.

Liliana Rodrigues reforça que o reconhecimento público que a associação tem recebido de diferentes quadrantes da sociedade é fundamental, mas precisa de ser acompanhado pela viabilização do trabalho prático. Uma das iniciativas é uma carta assinada por cem mulheres, de diversos setores sociais, políticos e profissionais, em reconhecimento pelo trabalho feito pela UMAR.

Nomes como Anália Torres, professora da Universidade de Lisboa, Catarina Martins, eurodeputada do Bloco de Esquerda, Elza Pais e Edite Estrela, deputadas do Partido Socialista, Capicua, cantora, Helena Roseta, arquiteta, Irene Pimentel, historiadora, Lídia Jorge, escritora, ou São José Lapa, atriz e encenadora, fazem parte desta lista e subscrevem um texto de defesa da associação.

Até setembro, quando assinala 50 anos, estão previstas diversas iniciativas a nível nacional e regional, incluindo um encontro de reflexão em Lisboa. Para a responsável, estas celebrações servem para reforçar a importância da “ação coletiva” e da visibilidade de um trabalho que, embora reconhecido como “incansável”, aguarda agora que as decisões políticas acompanhem a urgência da prevenção no terreno.

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Marcelo Hermsdorf
Marcelo Hermsdorf

Jornalista na RUM

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Sara Pereira
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