Escola de Economia, Gestão e Ciência Política celebra 44 anos de olhos postos além-fronteiras

Da celebração dos avanços alcançados no último ano ao debate sobre o contexto geopolítico internacional da atualidade, a celebração do 44.º aniversário da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política (EEG) da Universidade do Minho (UMinho) teve um cartaz cheio. O Auditório B1 do edifício 2 do campus de Gualtar serviu de palco para receber alunos, docentes e um painel alargado de convidados, entre os quais o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e Dmytro Kuleba, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, entre 2020 e 2024.
Na primeira intervenção, Luís Aguiar-Conraria aproveitou o púlpito para celebrar o trabalho desenvolvido no último ano com destaque para as recentes conquistas inéditas na acreditação internacional dos cursos.
No último ano, quatro cursos receberam a distinção da EFMD (European Foundation for Management Development), passando a ser os únicos do país com esta acreditação.
Cabe, agora, à unidade orgânica continuar a promover a sua imagem além-fronteiras. O próximo passo será conseguir o reconhecimento da AACSB (Association for Advance Collegiate Schools of Business).
O relatório final já está aprovada. Falta a visita oficial e respetiva avaliação. A decisão final deverá chegar entre junho e julho com o presidente da EEG a manifestar-se “otimista”.

UMinhoExec – aproximar a academia da sociedade
Outro dos eixos centrais da estratégia da EEG passa pela aproximação à sociedade e ao mercado de trabalho com a UMinhoExec a servir de motor. Assim que fique estabelecido o estatuto de associação, a UMinhoExec disponibilizará um conjunto de formações executivas e de programas intensivos para empresas ou instituições.
O projeto está pronto para avançar. Luís Aguiar-Conraria recorda que será uma instituição de direito privado, apesar de maioritariamente detida pela Universidade do Minho, com uma forte presença dos parceiros associados nos órgãos de direção e nas tomadas de decisão.
“Nós passamos a ter um contacto muito direto com o mercado. Passa a fazer parte de nós, digamos assim.”
Luís Aguiar-Conraria sobre a UMinhoExec
O projeto UMinhoExec ficará sediado no edifício do Castelo, com o propósito de ligar a academia ao mercado de trabalho privado para, assim, perceber as necessidades e exigências das empresas. A tarde serviu igualmente para fazer um ponto de situação sobre a empreitada em curso no equipamento implantado em pleno centro histórico de Braga.
Uma universidade “pioneira” no ensino dos Negócios Internacionais
A cerimónia contou com a presença do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Do conflito na Ucrânia à guerra no Médio Oriente, o discurso do governante ficou marcado pelo contexto geopolítico internacional.
Vivem-se momentos de tensão por todo o mundo e é no conhecimento promovido pelas universidades que poderá estar um impulso para a diplomacia.
Houve, também, tempo para celebrar o “pioneirismo” da Universidade do Minho.
Em declarações exclusivas à RUM, Paulo Rangel destaca o nascimento da instituição já como “moderna para o seu tempo”, através de um “estilo de ensino renovado” e a prova disso está na criação do curso de Relações Internacionais, o primeiro em Portugal, que em 2026 celebra 50 anos.
O ministro ressalva o papel deste tipo de oferta formativa para promover o “intercâmbio de professores e de alunos”, o que considera um “poderoso fator de diplomacia”.
“Permite criar muitas redes de contacto, permite em muitos casos esclarecer pontos de vista e permite também cooperar internacionalmente. E reparte tudo o que seja um espaço de cooperação internacional, são espaços de redução do risco de conflito.”
Paulo Rangel, em declarações exclusivas à RUM
Mesmo sabendo que parcerias económica, científicas, de investigação ou de intercâmbio de alunos entre dois países não significa o impedimento de uma guerra, o líder da pasta dos Negócios Estrangeiros sabe que é um fator que “diminui os riscos”.

Do “ADN” da academia minhota surge uma outra característica assinalada pelo ministro: a capacidade de cruzar a Economia com a Ciência Política. É exatamente aqui que se encontra um dos principais trunfos de Portugal na promoção de boas relações internacionais.
O governante celebra a capacidade da EEG em conjugar a formação nos campos da Economia e da Ciência Política, naquele que caracteriza como uma “vertente de especialização extremamente útil”.
“Assim como podemos ter na área da Segurança e Defesa, por exemplo, talvez o setor em que ela (a diplomacia) está mais necessária é o setor da Economia, e isso está no ADN das Relações Internacionais no Minho.”
O ministro com elogios ao programa formativo de Relações Internacionais na UMinho
Valorizar o papel da academia no estrangeiro como um motor para a visibilidade do país lá fora foi, também, a premissa do discurso do reitor da instituição, Pedro Arezes.
Defendeu que é precisamente no trabalho desenvolvido na Escola de Economia, Gestão e Ciência Política que se dá o empurrão para tomadas de decisão mais informadas e políticas públicas mais robustas. Para isso, realça ser imperativo “o reforço da comunicação científica e o envolvimento crescente de investigadores na Escola no debate público”.

Uma década decisiva para a Europa
As celebrações ficaram igualmente marcadas pela palestra ‘The Ukraine War and Europe’s Defining Decade’ proferida por Dmytro Kuleba, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, entre 2020 e 2024, ele que teve um papel central nos momentos que sucederam a invasão da Rússia em 2022.
Conflito esse que surge, contudo, bem antes. O ex-ministro preferiu ir além do título da palestra que protagonizou e alertar que os comportamentos imperialistas contemporâneos surgiram depois do término da Segunda Guerra Mundial, e até num passado ainda mais longínquo.
No final de contas, “tudo se trata de opções políticas”. E o mesmo se aplica ao alargamento da União Europeia. É precisamente nesse ponto que se encontra a justificação de Dmytro Kuleba para o facto de a Ucrânia ainda não integrar a UE.
“Desde o fim da União Soviética, a Ucrânia foi vista como uma parte rebelde da Rússia. A visão de que a Ucrânia pertence ao ‘mundo russo’ permaneceu incontestável por 30 anos.”
Dmytro Kuleba no discurso das celebrações dos 44 anos da EEG

O ex-ministro agradeceu, ainda, o convite para participar nas celebrações dos 44 anos da EEG, para falar sobre o passado, presente e futuro da Europa.
Licenciaturas duplas
No próximo ano, a Escola de Economia, Gestão e Ciência Política prepara-se para lançar uma novidade no Ensino Superior Português: as licenciaturas duplas.
Tal como a RUM avançou em primeira mão a 9 de fevereiro, esta revolução na oferta formativa visa responder a um mercado de trabalho cada vez mais exigente e interdisciplinar.
A iniciativa decorre em parceria com a Escola de Ciências, num total de cinco diferentes opções para os estudantes que se preparam para entrar na academia minhota em 2026/27:
- Economia + Gestão: (4 anos) – 20 vagas.
- Gestão + Negócios Internacionais: (4 anos) – 10 vagas.
- Economia + Negócios Internacionais: (4 anos) – 10 vagas.
- Matemática + Física: (5 anos) – 10 vagas.
- Física + Química: (5 anos) – 10 vagas.
Luís Aguiar-Conraria destacou este avanço, convicto de que se tornará o modelo a seguir no Ensino Superior em Portugal.
Além deste alargamento da oferta formativa, a EEG contabiliza oito licenciaturas, 16 mestrados e seis doutoramentos. Uma das maiores unidades orgânicas da UMinho, destaca-se entre os principais rankings mundiais da área, como no Times Higher Education, Xangai, QS e Eduniversal.
A cerimónia contou, ainda, com a atribuição de prémios de reconhecimento aos estudantes, trabalhadores técnicos administrativos e de Gestão, investigadores, docentes e entidades externas.
