Espécies invasoras: Investigador da UMinho alerta para impactos aos ecossistemas e à sociedade

A dispersão de espécies invasores pode causar impactos ecológicos, económicos e até sociais. A conclusão é de dois novos estudos internacionais que contam com a participação do investigador português Ronaldo Sousa, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho (UMinho).
Os artigos The Impacts of Biological Invasions e The Spread of Non-Native Species, com autores de 20 países, identificaram que as invasões biológicas estão a espalhar-se a um ritmo acelerado nas últimas décadas. Aos microfones da RUM, o investigador Ronaldo Sousa explica que estas recentes revisões científicas olharam para o problema de uma forma global, “pela primeira vez”.
Um dos trabalhos, estuda sobre “a dispersão destas espécies e como é que elas poderão acelerar mais no futuro devido a atividades humanas”, o segundo “focou essencialmente sobre os impactos gerados por estas espécies e tentou, de uma maneira mais global, chamar a atenção dos impactos ecológicos, económicos e até sociais provocados por estas espécies”.
Estes impactos, ressalta, traduzem-se não apenas em perdas ecológicas, mas também em custos económicos, com prejuízos para setores como a pesca, a agricultura e a floresta, além de riscos diretos para a saúde humana.
Segundo o investigador, estas espécies são capazes de alterar “interações com as espécies nativas”. Em determinados casos, “é relativamente fácil ter uma ideia destes impactos económicos”, sublinha, em outros é mais relativo, como ao impacto para a saúde humana, mas que pode “muito, mas mesmo muito grandes”.

Prevenção: A Estratégia Mais Viável
As atividades humanas, revela o estudo, tem contribuído para a aceleração na disseminação destas espécies invasoras, impulsionado pelo comércio global. Ronaldo Sousa esclarece que em alguns casos esta alteração acontece “acidentalmente”, como no momento do transporte de mercadorias, em outros, é feito de “forma deliberada”.

“Na pesca desportiva, por exemplo, é um bom caso de estudo em que muitas das vezes muitas espécies são introduzidas de forma deliberada porque nós as queremos pescar”, sublinha Ronaldo Sousa.
Para controlar estas invasões, que são frequentemente subestimadas, o investigador defende o reforço das medidas de prevenção e biossegurança nas principais rotas de introdução e a “monitorização dos vetores de introdução”. A prevenção é apontada pelo estudo como a solução “economicamente mais viável”.
Ronaldo Sousa destaca que melhorias no controlo do despejo da “água de lastro” de barcos já permitiram evitar a transposição de certas espécies para novos ecossistemas, defendendo que este tipo de vigilância deve ser ampliado e replicado noutros contextos. Os estudos com a participação de investigadores da Universidade do Minho deverão continuar, adianta o responsável, focando-se tanto em espécies aquáticas como terrestres, para mitigar este problema de carácter transfronteiriço.
