Presidente atribui Grande-Colar da Ordem de Camões a Lobo Antunes

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou que irá depositar junto de António Lobo Antunes o Grande-Colar da Ordem de Camões, símbolo máximo da literatura portuguesa, depois de ter atribuído as insígnias da Grã-Cruz numa cerimónia em 2022.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai depositar junto do escritor António Lobo Antunes o Grande-Colar da Ordem de Camões, proposta apresentada pelo Primeiro Ministro, Luís Montenegro. A confirmação surgiu ao final da manhã numa carta de homenagem publicada por Marcelo Rebelo de Sousa no site da presidência.

O Governo já declarou Dia de Luto Nacional no próximo sábado, em homenagem ao escritor.

O escritor António Lobo Antunes faleceu esta quinta-feira aos 83 anos. A sua carreira literária de 25 anos marca a história da literatura portuguesa. A sua obra está editada por todo o mundo. Recebeu um vasto leque de prémios. Faltou-lhe o Nobel da Literatura.

Presidente da República homenageia António Lobo Antunes

Publicado em 1979, “Memória de Elefante” foi um dos livros mais significativos da cultura portuguesa em liberdade. O estilo dessa obra de estreia, e das seguintes, denso mas coloquial, memorialístico, provocador, poético e político, marcou um novo tom no romance português, género que teria na década de 1980 assinalável sucesso crítico e editorial, e inédita repercussão no estrangeiro.

António Lobo Antunes escreveu toda a sua obra de romancista, mas também de cronista, num registo de ternura contundente, com a mágoa e o fracasso das vidas comuns postos lado a lado com as tragédias políticas, o excesso e a empatia. Herdeiro de Céline, de Faulkner, de Cardoso Pires, Lobo Antunes deixou uma bibliografia vasta, visceral, sofisticada em termos narrativos, atenta ao quotidiano, e muito tributária de experiências como a guerra e a prática clínica da psiquiatria.

Ninguém terá sido mais imitado pelas gerações seguintes do que Lobo Antunes, poucos foram tão lidos, traduzidos, premiados e estudados. Isto sem nunca procurar qualquer unanimidade, sendo conhecido pelas opiniões fortes, que a prática da crónica converteu de certo modo em compreensão da melancolia e da fúria de viver.

Seu leitor, admirador e amigo há décadas, pude em 2022 atribuir-lhe as insígnias da Grã-Cruz da Ordem de Camões, com a certeza de que poucos representaram tão bem a grandeza literária de um país territorialmente pequeno. Vou agora depositar junto dele o Grande-Colar da mesma Ordem, símbolo máximo da literatura portuguesa.

A sua mulher, filhas e demais familiares manifesto o meu pesar e a grata homenagem de todos os que viveram com os livros e através dos livros de António Lobo Antunes.

c/Lusa e Presidência

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Elsa Moura
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