Marcelo despede-se das Forças Armadas em Braga: O elogio à “alma indomável” da cidade e o apelo à união em torno de Seguro

Foi em Braga, cidade que descreveu como o berço de um “espírito indomável”, que Marcelo Rebelo de Sousa encerrou um ciclo de dez anos como Comandante Supremo das Forças Armadas. Perante militares e populares, o Chefe de Estado cessante quis deixar uma última mensagem de “dever patriótico”, entrelaçando a história da cidade com a identidade nacional.
A intervenção ficou marcada por um forte elogio à resiliência local. Marcelo Rebelo de Sousa percorreu a linha do tempo – da resistência aos romanos às invasões francesas – para ilustrar o carácter de quem “acredita no impossível”.
“Braga recorda-nos a cada esquina que Portugal nasceu do espírito indomável”, afirmou, lembrando os combates nas encostas do Carvalho d’Este contra as tropas do general Soult.
“Foi assim quando Braga resistiu no tempo dos romanos. Foi assim desde Bracara Augusta até a Idade Moderna. Foi assim na Idade Contemporânea, quando resistiu ao combate das tropas francesas de Soult.”
O Presidente destacou a união entre militares, milícias e civis nesses momentos históricos, definindo-a como a “alma” que se levanta “quando a Pátria chama”.
“Resistência nas encostas do Carvalho d’Este, a 8 km de onde nos encontramos. Aí tombaram tantos portugueses, tantos bracarenses, em três dias de luta feroz.”Lado a lado, movidos pela coragem, soldados, milícias populares, mulheres e crianças, enfrentaram a tempestade francesa com a força de quem defende não apenas a terra, mas a própria alma. É esta mesma alma que se torna a prova viva de que quando a pátria chama, o seu povo responde com uma vontade que nunca se rende.”
Uma década de “momentos bons e maus”

Para além da evocação histórica bracarense, o discurso serviu para fazer o balanço de dois mandatos presidenciais marcados por crises severas. Marcelo Rebelo de Sousa recordou o papel das Forças Armadas não apenas na defesa territorial, mas na resposta a emergências civis: desde os incêndios florestais ao combate à pandemia de Covid-19 (transporte de doentes, vacinação e descontaminação de lares), passando pelo apoio recente nas cheias.
No plano externo, o Presidente elogiou a presença portuguesa em palcos internacionais, como a República Centro-Africana, Roménia ou o Mediterrâneo, sublinhando um fator distintivo dos contingentes nacionais: “Os outros partem, nós ficamos. E somos sempre fiéis aos nossos aliados.”
Sobre o estado das Forças Armadas, Marcelo garantiu que o investimento subiu nos últimos 10 anos e que a modernização de meios navais, terrestres e aéreos “está em curso”, mas alertou que o foco principal deve continuar a ser a valorização dos recursos humanos – carreiras, saúde e apoio aos antigos combatentes – sem os quais “não há Forças Armadas”.
“Unamo-nos em torno dele”
A fechar a intervenção, e já em tom de passagem de testemunho, Marcelo Rebelo de Sousa abordou o futuro político imediato. Lembrando que o mundo está “mais perigoso e instável”, o Presidente cessante pediu aos portugueses e aos militares que transfiram a lealdade institucional que lhe dedicaram para o novo Presidente da República eleito, António José Seguro.
“Unamo-nos como nos unimos nos últimos 10 anos. Unamo-nos ainda mais, nós todos, em torno dele.”
Marcelo Rebelo de Sousa

Na cerimónia, o Presidente condecorou ainda o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, José Nunes da Fonseca, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, agradecendo a lealdade e a “chefia exemplar”. Marcelo Rebelo de Sousa despede-se com a garantia de que, tal como os militares que comandou, continuará a servir Portugal.
