Europa vale milhões: Jogos do SC Braga injetam 1,2ME [restrições desviam receitas para o Porto]

A participação do SC Braga na fase de liga da Liga Europa traduziu-se num impacto direto de 1,2 milhões de euros na economia da cidade. Os dados foram revelados esta manhã de quinta-feira pela Associação Empresarial de Braga (AEB), num estudo inédito que rastreou as transações eletrónicas (SIBS) de cartões estrangeiros em dias de jogo.
O valor, que reflete apenas pagamentos automáticos e exclui dinheiro vivo, beneficiou sobretudo a restauração (cerca de 50% do total), seguida pela hotelaria, comércio e serviços. Para Daniel Vilaça, presidente da AEB, os números comprovam que o clube é hoje o maior motor turístico da região.
“Este é um valor muito significativo, um valor que beneficia diretamente as empresas da cidade e que confirma que o SC Braga é hoje um ativo estratégico da economia local.”
O “jackpot” inglês e a fatura da segurança
A análise detalhada dos quatro jogos em casa expõe uma enorme disparidade de receitas, influenciada tanto pela origem dos adeptos como pelas decisões das autoridades de segurança.

Fonte: Estudo da AEB
O destaque vai claramente para a receção ao Nottingham Forest (a verde), que sozinha injetou 659.439 euros na cidade, representando mais de metade de todo o impacto da fase de grupos. Neste dia, o volume de transações na cidade disparou 404% face à média habitual.
No extremo oposto, o jogo frente ao Estrela Vermelha gerou apenas 28.782 euros. A AEB explica que as “restrições rígidas” de segurança obrigaram a maioria dos adeptos sérvios a pernoitar no Porto. Daniel Vilaça lamenta a oportunidade perdida, notando que, mesmo com poucos adeptos, a atividade económica ligada a esse mercado cresceu 1.491% nesse dia.
“O impacto absoluto deste jogo poderia ter sido muito superior, caso as restrições impostas pelas autoridades aos adeptos visitantes não tivessem sido tão rígidas. O que levou a que a maioria tenha ficado alojada no Porto.”
Quem gasta mais? O detalhe da “conta”
Onde é gasto este dinheiro? A resposta é clara: metade fica à mesa. Segundo os dados da AEB, o setor da restauração absorveu 50% de toda a despesa realizada pelos adeptos visitantes, superando o alojamento e o comércio local.”
Curiosamente, os adeptos do Estrela Vermelha foram os que registaram o consumo médio por transação mais elevado (40,95€), superando largamente os ingleses do Nottingham Forest (23,69€).
Isto sugere que os adeptos de leste tinham uma elevada propensão ao consumo, travada apenas pela impossibilidade de permanecerem na cidade. Já no jogo contra o Genk, onde o impacto foi de 270 mil euros, o setor do alojamento conseguiu captar 15% da despesa total.
António Salvador: “Valor real supera os 2 milhões”
António Salvador recebeu o estudo com agrado, mas fez questão de sublinhar que estas contas “pecam por defeito”. O presidente do SC Braga lembra que a análise não contabiliza os gastos em numerário nem os três jogos da fase de qualificação disputados no verão. Feitas as contas totais, o dirigente garante que o impacto duplica.
É seguro dizer que a presença do Sporting Clube de Braga na UEFA já terá representado para a cidade um valor muito superior a dois milhões de euros.”
Com a qualificação para os oitavos de final garantida, Salvador deixou um aviso à navegação: para que Braga ganhe dinheiro com o futebol, as instituições e as forças de segurança têm de remar para o mesmo lado.
“A cidade, as instituições e o clube têm que andar de mãos dadas. É evidente que quem fica a ganhar é o clube, mas também fica a ganhar muito a cidade.”
Com o SC Braga já apurado para a próxima fase da Liga Europa, a expectativa da AEB é que os próximos jogos tragam “impacto económico adicional”, desde que se garanta que as receitas ficam dentro da cidade dos arcebispos e não em territórios vizinhos.
O Rasto dos Milhões
- 1.196.106 €: Impacto total direto acumulado nos 4 jogos.
- 659.439 €: Valor recorde gerado num só dia (Nottingham Forest).
- 1.491%: O aumento explosivo de transações de cartões sérvios no dia do jogo com o Estrela Vermelha.
- 40,95 €: O valor médio por compra mais alto (Estrela Vermelha).
- 50%: A fatia que a restauração absorveu do total das receitas.
