Diretor da Agência Espacial Portuguesa destaca papel diplomático do setor

Na tarde desta quarta-feira, Hugo André Costa deu uma palestra na terceira edição das Jornadas de Engenharia Aeroespacial da UMinho.

Alertar para o papel do espaço como promotor da diplomacia internacional. Foi este o principal objetivo de Hugo André Costa, diretor executivo da Agência Espacial Portuguesa (AEP), que protagonizou a última palestra das jornadas de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Minho.

Depois de eventos com o diretor-adjunto de Marketing da Saab Aeronautics, Mattias Källstrand, e com o diretor de Desenvolvimento de Negócios da TAP, Nelson Vaz, deu-se o momento que antecedeu a cerimónia de encerramento da terceira edição das jornadas: a palestra ‘Portugal in Space: from Technology to Space Diplomacy’.

À RUM, o responsável afirma que a diplomacia é uma área em crescimento no espaço e que os futuros engenheiros devem compreender o papel de “engrenagem” que vão desempenhar neste setor e de “como que o seu trabalho também impacta noutros domínios, como por exemplo a diplomacia espacial”.

“Os engenheiros são importantes porque permitem que a engenharia trabalhe em conjunto com muitos outros países e com muitas outras áreas e, ao mesmo tempo, permitem que os diplomatas tenham essa ferramenta a mais para para atuar no campo global”, destaca.

Hugo André Costa sobre o impacto dos engenheiros na diplomacia espacial

Independentemente das tensões geopolíticas na Terra, a Estação Espacial Internacional manteve-se sempre a funcionar. Para o diretor-executivo da AEP, “o espaço pode ser uma forma de suavizar as relações internacionais entre os estados”, por obrigar uma constante colaboração entre os Estados. Recorda que mesmo na altura da Guerra Fria, assim como hoje em dia, as atividades internacionais mantiveram-se sempre.

Um paralelo entre a corrida à Lua durante a Guerra Fria e o cenário geopolítico atual

“Mesmo quando o Homem estava a conquistar a Lua, na década de 70 [do século XX], nós estávamos a viver um período de Guerra Fria. Hoje em dia estamos a viver um período talvez semelhante, com as suas particularidades, mas estamos a viver um clima tenso na Terra. Mas no espaço, as atividades internacionais mantiveram-se. Nós estamos a viver um período de guerra na Ucrânia, mas, mesmo assim, a Estação Espacial Internacional manteve-se sempre.”

— Hugo André Costa, diretor-executivo da Agência Espacial Portuguesa

A chegada ao mercado de trabalho aeroespacial

Criada pelo Governo, a Agência Espacial Portuguesa tem como principal objetivo promover o ecossistema espacial em Portugal para benefício social e económico. Por esse motivo, não desenvolve programas que recrutem muita mão de obra de quem se forma neste ramo.

Ainda assim, refere Hugo André Costa, as oportunidades de trabalho são vastas, e a Agência Espacial Portuguesa preocupa-se em impulsionar a entrada dos estudantes no mercado profissional. Para isso, há bolsas e programas de formação para estudantes universitários que o responsável detalha:

A ESA [Agência Espacial Europeia] tem muitas posições de Young Graduate Trainee. E nós temos um pequeno programa de bolsas para participar em conferências, para apresentar papers. Essa é uma das ações que a agência faz bastante para apoiar os estudantes quando procuram o que fazer a seguir.”

Hugo André Costa especifica as oportunidades disponíveis para a carreira na área aeroespecial
Marcelo Hermsdorf/ RUM

Sobre o perfil que se pretende para os candidatos, o diretor-executivo da Agência Espacial Portuguesa indica que, pela vasta gama de cargos disponíveis na área, diferentes características podem ser solicitadas para o cumprimento de funções distintas.

“A indústria precisa de perfis com vários domínios de conhecimento”
David Braga / RUM

“Eles procuram mesmo não só engenheiros, mas também cientistas: física, biologia, medicina, outras áreas sociais. Há um grande leque de oportunidades nas várias áreas neste momento dentro do setor espacial.”

A iniciativa encerrou na manhã desta quinta-feira, com visitas à base da Ryanair no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, e às instalações do CEiiA, Centro de Engenharia e Desenvolvimento, sediado em Matosinhos.

*texto editado por Ariana Azevedo

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