Correntes d’Escritas regressa à “Casa” para homenagear Laborinho Lúcio

A 27.ª edição do Correntes d’Escritas, que arranca a 21 de fevereiro na Póvoa de Varzim, será desenhada em torno da memória de Álvaro Laborinho Lúcio. Sob o mote “A Casa”, conceito defendido pelo escritor falecido em outubro de 2025, o festival reúne 108 autores de 17 nacionalidades e regressa ao Cine-Teatro Garrett.
Este ano, o concelho poveiro volta a ser ponto de encontro da literatura ibérica, mas fá-lo com um sentimento especial de tributo. A organização decidiu estruturar toda a programação em torno de Álvaro Laborinho Lúcio, escritor, jurista, mas também antigo Presidente do Conselho Geral da Universidade do Minho. Presença assídua no evento, o autor defendia que o festival deveria chamar-se “A Casa”.

Em declarações aos jornalistas, a presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Andrea Silva, explicou que esta edição procura materializar essa visão deixada pelo autor.
“Vamos voltar a casa e, inspirados muito naquilo que são as opiniões de Álvaro Laborinho Lúcio sobre tudo aquilo que acontecia aqui no Correntes d’Escritas, vamos criar mesas temáticas”, afirmou a autarca.
As 11 mesas de debate terão como ponto de partida frases do último livro publicado pelo homenageado, A Vida na Selva, uma obra que reúne crónicas e memórias do ex-ministro da Justiça.
José Carlos Vasconcelos em “inversão de papéis”

Para além de Laborinho Lúcio, o festival destaca também José Carlos Vasconcelos. O diretor do Jornal de Letras, habitualmente o moderador das sessões de abertura, será este ano o protagonista e entrevistado da sessão inaugural, agendada para dia 25 de fevereiro.
“José Carlos Vasconcelos está ligado às ‘Correntes’ desde sempre. Este ano, sendo ‘A Casa’ o mote, pensamos que seria interessante colocá-lo a ele no lugar do outro. Fizemos essa inversão de papel”, explicou Andrea Silva.
O regresso ao Cine-Teatro Garrett
Coincidindo com o tema ‘A Casa’, a cerimónia de abertura deixa o Casino da Póvoa e regressa ao Cine-Teatro Garrett, o epicentro cultural do evento. Embora a mudança tenha sido motivada por questões logísticas relacionadas com a concessão de jogo, a autarca vê nela uma oportunidade feliz.
“Tivemos a oportunidade de fazer ainda melhor, digamos assim, ou fazer aqui um retorno àquilo que também é a essência do Correntes de Escritas, que é o Cine-Teatro Garrett. Fizemos aqui um regresso à casa mais uma vez, e portanto eu acho que se conjugou na perfeição”, concluiu.
A 27.ª edição do Correntes d’Escritas decorre entre 21 e 28 de fevereiro e contará com a presença de escritores como Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Germano Almeida, Hélia Correia e Itamar Vieira Júnior.
