“Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia”

António José Seguro começou o seu discurso de presidente eleito por recordar as vítimas mortais do mau tempo que assolou o país na última semana. Mencionou famílias e empresas, vincou que a solidariedade dos portugueses foi heróica mas não pode ser substituída pelo Estado. Apesar do resultado histórico, o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa deixou mais para a frente a expressão do resultado obtido.
“A resposta à dor não é o grito, é o trabalho, e há muito trabalho a fazer”, disse António José Seguro que se comprometeu a voltar ao terreno já nos próximos dias. Saudou todos os que foram votar, mesmo aqueles que se encontravam em situações mais difíceis num processo de recuperação pelos estragos causados pelo mau tempo. Mencionou proteção civil, bombeiros, autarcas, funcionários públicos e empresas privadas.
Depois, dirigiu-se a André Ventura para notar que como futuro Presidente, a partir desta noite deixaram de ser adversários, tal como os restantes partidos políticos que apoiaram outros candidatos.
“A maioria que me elegeu extingue-se esta noite. Hoje falo com o coração cheio, de gratidão, de emoção, de responsabilidade” – Seguro
António José Seguro lembrou as raízes no interior, a família humilde, vincou que continua a pensar igual e que esta vitória “é de cada pessoa que acreditou e teve esperança num país melhor, um país que avança sem deixar ninguém para trás”.
O presidente eleito saudou “todos por igual”, incluindo os que não votaram em si, os que preferiram não votar e os que não votaram ainda.
Num discurso insistentemente interrompido por aplausos, no interior do Centro Cultural de Caldas da Rainha, António José Seguro mencionou o staff de campanha e o profissionalismo dos jornalistas que acompanharam a campanha.
Numa “palavra especial” para a esposa e para os filhos, António José Seguro emocionou-se com o momento em que referiu a família.
Sublinhando o trabalho de Marcelo Rebelo de Sousa e todos os seus antecessores, vincou que “cada um, no seu tempo, serviu o país”, algo que agora também fará com o seu “próprio estilo”.
“A minha liberdade é a garantia da minha independência. Reafirmo a natureza independente da minha ação tratando por igual todos os partidos políticos e todos os parceiros sociais. Prometi lealdade e cooperação institucional com o governo e cumprirei a minha palavra. Jamais serei contra-poder, mas serei exigência,” afiançou.
Evidenciando que se abre “um novo ciclo de três anos sem atos eleitorais”, tal como disse ao início da noite o primeiro ministro, Luís Montenegro, notou que a responsabilidade está do lado do Governo e dos partidos que compõe o Parlamento.
Disse que “não há tempo a perder” e será um “impulsionador de uma cultura de compromisso”. “Comigo não ficará tudo na mesma. Em Belém, os interesses ficam à porta. Os valores e a ética são inegociáveis”, prosseguiu.
Garantiu igualmente que não falará “por tudo e por nada”. Notando a “resiliência e a coragem” do país, disse que é preciso acreditar que unidos, os portugueses serão mais fortes.
“Somos um país de talento, de inovação. O medo paralisa, é a esperança que constrói. Somos maiores do que qualquer crise. Portugal tem todas as condições para ser melhor”
Lembrando que todos são portugueses, repetiu a ideia de união e de sinergias. Comprometido com todos sublinhou: “Serei o presidente de todos os portugueses para mudarmos Portugal, Viva Portugal”, fechou.
Questionado pelos jornalistas sobre a medida a tomar relativamente a respostas a catástrofes, o presidente eleito assinalou que no quadro de transição ajudará para que os apoios cheguem rapidamente às pessoas e às empresas que precisam. Pediu uma melhor organização de recursos do governo para responder a situações como aquelas que o país viveu nos últimos dias.
Questionado sobre o resultado obtido, um recorde, admitiu que não esperava uma votação desta grandeza, mas vai utilizar “essa força” para que “todos percebam que tem que haver uma cultura de compromisso fora dos ciclos eleitorais”, notando que deve concentrar-se em “encontrar soluções”. “Ou a política serve para resolver os problemas das pessoas, ou não serve para rigorosamente nada”, repetiu.
“Assumi essa independência e é isso que farei. Estou acima dos partidos e é isso que os portugueses querem”, respondeu quando questionado sobre se fará o mesmo que os dois presidentes da república militantes do PS que enquanto presidentes entregaram os respetivos cartões.
Já sobre o facto de 1 milhão e 700 mil portugueses terem votado em André Ventura, repetiu a mensagem que foi passando na campanha eleitora, de que não entrará na lama.
Já sobre se a esposa o acompanhará em Belém e nas funções de “primeira dama”, António José Seguro
António José Seguro tomará posse a 9 de março, mas esta segunda-feira já se deslocará a Belém para reunir com Marcelo Rebelo de Sousa, atual presidente.
Nunca nenhum presidente em Portugal teve tantos votos como António José Seguro que superou Mário Soares.
O derrotado da noite, André Ventura, felicitou António José Seguro, mas deixou a ideia de que o resultado obtido, o mais alto de sempre do Chega num processo eleitoral significa que os portugueses pretendem André Ventura a governar Portugal.
António José Seguro venceu no distrito de Braga e em todos os concelhos, com uma votação ainda mais expressiva no concelho de Braga
No concelho de Guimarães, o presidente eleito esteve muito perto de atingir os 70%.
