Bloco de Esquerda rejeita regresso da PPP ao Hospital de Braga e defende ULS Universitária

A intenção do Governo em reverter o modelo de gestão da Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, regressando à Parceria Público-Privada (PPP), motivou a visita do dirigente bloquista à unidade hospitalar. José Manuel Pureza foi categórico na recusa do modelo, recordando a experiência passada em Braga para justificar a defesa de uma gestão exclusivamente pública.
“Sabemos as estratégias negociais que eram postas em prática para obter receita adicional injustificada”, afirmou o coordenador do Bloco de Esquerda (BE) aos jornalistas, no final da reunião, sublinhando que esse modelo resultou na limitação de direitos laborais.
Para aquele partido, a manutenção da gestão pública é a única via para garantir a universalidade. Pureza sublinhou que é imperativo que a unidade mantenha o “caráter exclusivamente público”, alertando que só isso protege o acesso de mais de um milhão de utentes.
O dirigente defendeu a manutenção do hospital na esfera pública, argumentando ser a única forma de garantir que os 1,2 milhões de utentes “tenham aqui tratamento, independentemente do dinheiro que têm na sua carteira.”
Caos no estacionamento e “défice crónico” de pessoal
Durante a reunião com a Comissão de Trabalhadores, foram identificados problemas que afetam o dia a dia da unidade, nomeadamente um “défice crónico de recrutamento” que gera sobrecarga laboral.
Outro ponto crítico é a mobilidade. A falta de estacionamento nas imediações tem criado um cenário de enorme dificuldade para os trabalhadores. O dirigente bloquista descreveu a situação como insustentável e detalhou uma proposta concreta para retirar a pressão automóvel do hospital: a criação de parques periféricos servidos por transporte dedicado.
A aposta na diferenciação académica
Olhando para o futuro, o Bloco de Esquerda defende que a unidade deve dar um salto qualitativo, aproveitando a forte ligação que já mantém com as instituições de ensino superior da região.
José Manuel Pureza defendeu a “transformação desta Unidade Local em ULS Universitária”, uma mudança de estatuto que visaria formalizar e reforçar a articulação com a Escola de Medicina e a Escola de Enfermagem da Universidade do Minho, valorizando a componente de investigação e formação clínica.
O partido garantiu que irá levar estas preocupações – desde a rejeição da PPP às propostas de mobilidade e valorização académica – tanto aos órgãos autárquicos de Braga como à Assembleia da República.
