José Palmeira. Debate entre Seguro e Ventura foi equilibrado e “correspondeu às expectativas”

António José Seguro poderia ter aproveitado o debate presidencial desta terça-feira para mobilizar o voto dos eleitores moderados. A opinião é do especialista em relações internacionais da Universidade do Minho, José Palmeira, que diz, ainda, ter sido um confronto “que correspondeu às expectativas” de ambas as partes.
Um debate “muito repetitivo”, sem argumentos novos, e que viu ambos candidatos equilibrarem os discursos para captar eleitores mais moderados. Para José Palmeira, esta não foi a melhor opção, sobretudo para António José Seguro, que poderia ter usado o momento para “dramatizar um pouco mais esta eleição”, no sentido de levar os eleitores às urnas no próximo dia 8 de Fevereiro. “António José Seguro não foi muito feliz, isto é, ele teve um bocadinho de low profile, se calhar, uma postura se calhar já de Presidente”, acrescenta.
Esta posição moderada é especialmente debilitante para o candidatado apoiado pelo PS, porque numa eleição onde as sondagens revelam uma grande distância entre os dois candidatos, “isto pode alienar os eleitores”.
O politólogo acredita que o candidato poderia ter “dramatizado mais o debate” e ter argumentado que o que está “em jogo nestas eleições não é apenas a eleição de um presidente”, mas, face ao seu antagonista, “tentar evidenciar que haveria necessidade dos eleitores moderados o apoiarem de forma massiva” para vincar essa distância do eleitorado face aos eleitores do Chega.
Já no caso de André Ventura, se o seu objetivo era maximizar um bom resultado nas presidenciais para beneficiar, no futuro, em termos das legislativas, então “atingiu os seus objetivos”, refere. Para o docente, também o discurso do candidato apoiado pelo Chega, foi equilibrado em relação a outros debates. “Com isso também pretende, de certa forma, não alienar um eleitorado de direita mais moderada, que poderá estar indeciso entre votar em si ou votar em seguro”, remata.
Pode assistir ao debate completo aqui.
