AAUMinho prepara reabertura “cautelosa, exigente e segura” do BA

Presidente da AAUMinho revela que o processo de reabertura envolve forças de segurança, universidade e junta de freguesia de S. Victor. Entrada exclusiva para membros da comunidade académica, quase 20 câmaras de videovigilância e cumprimento escrupuloso de todas as regras de segurança para o funcionamento de estabelecimentos deste tipo são os critérios previstos. Os investimentos visaram ainda melhorar a insonorização do espaço.
Presidente da AAUMinho explica modelo de funcionamento e passos tendo em vista reabertura segura

A Associação Académica da Universidade do Minho (AAUMinho) está a preparar, “de forma cautelosa”, a reabertura do Bar Académico (BA) ainda no mês de fevereiro, cumprindo todas as condições de segurança, num acesso noturno feito de forma exclusiva por membros da comunidade académica.

Com uma nova concessão desde dezembro, tiveram início os trabalhos de requalificação do espaço interior e exterior com foco na segurança, na videovigilância e nas melhorias acústicas do espaço, que vai funcionar também durante o dia.

Ainda assim, o anúncio da reabertura do BA de Braga “surpreendeu” os moradores da zona envolvente à Gulbenkian, que reivindicam o direito ao descanso e prometem lutar em todas as instâncias para impedir que o espaço reabra. Ouvido pela RUM, o presidente da AAUMinho  assume que “as preocupações dos moradores são mais que justas”, mas garante que o modelo que está a ser desenhado tendo em vista a reabertura “em nada se alinha com aquilo que era o funcionamento anterior”.

“Estamos a tentar reabrir o estabelecimento de uma forma bastante diferente daquilo que era anteriormente feito. Esta preocupação é justa, mas quando forem apresentadas as alterações que queremos fazer ao modelo de funcionamento do Bar Académico, acredito que muitas das preocupações fiquem sanadas”, começa por referir.

A direção da AAUMinho já encetou contactos com a junta de freguesia de São Victor, com a reitoria da Universidade do Minho, mas também com a Proteção Civil e com a Polícia de Segurança Pública (PSP).

AAUMinho acumula mais de 30 mil euros de prejuízos desde o encerramento do espaço, em abril de 2025, na sequência de um homicídio nas imediações do BA que envolveu membros que não pertenciam à instituição de ensino superior.

O dirigente estudantil reitera que será uma reabertura “com uma cara nova, um funcionamento novo” e uma concessão diferente das anteriores, sublinhando que o encerramento do BA desde abril passado já resultou em prejuízos para a AAUMinho que ultrapassam os 30 mil euros quando a estrutura estudantil já se encontrava numa situação financeira fragilizada.

“Quando forem apresentadas as alterações de funcionamento do BA acredito que muitas das preocupações fiquem sanadas”
Luís Guedes


Moradores da Gulbenkian não querem reabertura do Bar Académico

Paula Azevedo é uma das vozes que se levanta contra a reabertura do BA de Braga. Admitindo que os moradores não estão contra a existência de um Bar Académico mas sim contra o seu funcionamento nesta zona residencial, esta moradora defende que o equipamento deve reabrir apenas na nova sede projetada para o interior do campus de Gualtar da Universidade do Minho. Lembra que as queixas dos moradores se foram acumulando ao longo dos anos.

“Somos privados do direito ao descanso. Afeta-nos o sono, a tranquilidade. Quando há festas académicas não dormimos simplesmente porque os frequentadores fazem festa a qualquer hora da madrugada, às seis ou sete da manhã continuam pelas ruas a beber, a vomitar, a fazer barulho, a gritar, a dar pontapés em caixotes do lixo, a fazer corridas com os carros e travagens na praceta”, detalha.

Paula Azevedo sobre as preocupações dos moradores da zona envolvente ao BA

Os residentes garantem que vão reclamar “em todo o sítio” já que consideram que o funcionamento do espaço “é um risco para a segurança e tranquilidade das famílias”. Paula Azevedo recorda, inclusivamente, um e-mail enviado pelo anterior reitor, Rui Vieira de Castro que, ainda em funções, esclareceu que uma eventual reabertura seria “limitada exclusivamente a membros da comunidade académica” e que todas as condições de segurança “deverão ser previamente asseguradas e respeitadas”, assim como garantias de bem-estar e da qualidade de vida da comunidade local, elementos que a AAUMinho reitera igualmente com esta reabertura.

“Quando há festas académicas não dormimos simplesmente (…) às seis ou sete da manhã continuam pelas ruas a beber, a vomitar, a fazer barulho, a gritar, a dar pontapés em caixotes do lixo”
Paula Azevedo, moradora


sessão de auscultação e esclarecimento junto dos moradores “nos próximos dias”

De acordo com o presidente da AAUMinho, nos “próximos dias” será promovida uma ação de auscultação e esclarecimento junto da comunidade residente da Gulbenkian, antecipando-se desde já alguma resistência por parte dos moradores. Luís Guedes explica que o encontro entre as partes envolverá igualmente a junta de freguesia de S. Victor, assim como os departamentos competentes da câmara municipal e reitera a mensagem: “o objetivo é um regresso inteligente, cauteloso e exigente do Bar Académico privilegiando a paz e a calma na região envolvente”.

O acesso ao espaço deverá manter-se nas traseiras sendo a porta superior, na rua D. Pedro V reservada para saída de emergência.

Uma das possibilidades para mitigar o ruído no exterior no momento de acesso ao BA passa pela verificação de segurança decorrer no primeiro corredor tendo em vista o acesso ao 1º andar onde funciona o bar.

Dispositivos de videovigilância em grande número previstos para o interior e exterior do Bar Académico

O interior do bar contará ainda com 20 câmaras de videovigilância, uma das principais apostas “para mitigar questões também de segurança”. No exterior, a AAUMinho espera obter em breve mais esclarecimentos do município de Braga, que no ano transato anunciou um investimento significativo na instalação de videovigilância na cidade que incluía o BA de Braga e a zona noturna nas imediações do campus de Gualtar. Um aspeto particularmente relevante, já que “ajudaria também na mitigação de algumas das questões, nomeadamente do ruído na rua, no acesso e na saída” e passará pelo trabalho das forças de segurança tendo em vista um “policiamento preventivo”. Luís Guedes assume que uma interação próxima com a PSP permitiria, logo nos primeiros tempos, contribuir para a promoção de um “conjunto de boas práticas” dos estudantes, investigadores, docentes e não docentes que são os grupos autorizados a frequentar o espaço com as novas regras de acesso.

Espaço deverá funcionar num registo diferente durante o dia

De acordo com o presidente da AAUMinho, o funcionamento em período diurno é outra das novidades explicando que “não se pretende que seja só uma estrutura noturna, mas que possa servir outras vertentes, cada vez mais culturais”.

A estrutura estudantil pretende também realizar a sessão de esclarecimento dentro do próprio Bar Académico para que os residentes possam verificar as mudanças e investimentos levados a cabo com o objetivo de “dignificar o espaço sem perturbar a comunidade”.

Reitor da UMinho em contacto com presidente da AAUMinho

Contactado pela RUM, o novo reitor da Universidade do Minho (UMinho), Pedro Arezes explica que está a acompanhar o processo, sustentando que a reabertura implica a salvaguarda de “questões essenciais”, nomeadamente “a entrada com a reserva de admissão apenas aos membros da comunidade académica”, além de garantias de cumprimento de todos os requisitos legais e normativos, planos de emergência do espaço e videovigilância. O reitor considera “importante” a realização de uma sessão de apresentação e esclarecimento junto da comunidade envolvente, e insiste numa presença policial “mais frequente” junto ao Bar Académico.

O reitor da UMinho, Pedro Arezes, sobre a reabertura do BA

Presidente da CMB sem conhecimento formal de eventual reabertura

“Os estabelecimentos têm regras para cumprir e se as cumprirem têm o direito de estar abertos" - João Rodrigues, presidente da CMB

Esta segunda-feira, à margem da reunião de executivo, os vereadores do movimento Amar e Servir Braga questionaram o presidente de câmara sobre o anúncio desta reabertura. Aos jornalistas, o autarca disse ter conhecimento de moradores que estão contra o funcionamento do Bar Académico e que há uma intenção da Associação Académica reabrir o bar, ainda que formalmente não tenha sido informado por parte da estrutura estudantil representativa dos estudantes da Universidade do Minho. Apesar disso reitera que é preciso esperar pelo desenvolvimento normal de processos desta natureza. “Os estabelecimentos têm regras para cumprir e se as cumprirem têm o direito de estar abertos, se não as cumprirem, não podem. É muito simples”, concluiu.

João Rodrigues, autarca bracarense, à margem da reunião do executivo municipal

A questão tinha sido levantada no período antes da discussão da ordem de trabalhos pelo movimento Amar e Servir Braga. Ricardo Silva, vereador e antigo presidente da Junta de S. Victor, que acompanhou de perto o encerramento do BA, reconheceu alguma “preocupação” com a reabertura do espaço. “Queremos que a funcionar, funcione bem. Reconhecemos que os estudantes precisam de diversão noturna, mas temos sérias dúvidas se aquele edifício é hoje o melhor”, argumentou, apontando, em primeira instância, para o reforço da presença da Polícia de Segurança Pública e para que, em simultâneo, se “dê o direito ao descanso aos moradores”, lembrando que as noites de quarta-feira são as mais críticas quando o bar se encontra em funcionamento.

A Associação Académica da Universidade do Minho, recorde-se, tem em curso um projeto para a construção de uma nova sede no interior do campus de Gualtar, estando igualmente previsto para o mesmo edifício o novo Bar Académico.

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Elsa Moura
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