ABIC denuncia atraso no pagamento de bolsas aos novos doutorandos

Aos microfones da RUM, a presidente da ​ABIC, Sofia Lisboa, afirma que o problema é “muito grave”, uma vez que há relatos de bolseiros que apenas deverão receber o primeiro pagamento no mês de março.
Palavras de Sofia Lisboa

A Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) denuncia que há novos doutorandos que estão desde setembro de 2025 sem receber qualquer valor das suas bolsas já iniciadas.

Aos microfones da RUM, a presidente da ​ABIC, Sofia Lisboa, afirma que o problema é “muito grave”, uma vez que há relatos de bolseiros que apenas deverão receber o primeiro pagamento em março de 2026. Como as bolsas são atribuídas em regime de exclusividade, os doutorandos não podem possuir outra fonte de rendimento.

Em agosto de 2025, foram atribuídas 1550 bolsas, do concurso lançado em março passado. Apesar de sublinhar que “a maior parte das situações com as universidades e com as instituições contratantes está resolvida”, muitos ainda estão sem receber e a explicação, aponta, tem sido “uma passa culpas” do atraso causado por este novo modelo de contratualização, que passou a ser assegurada pelas instituições contratantes, como universidades, empresas e administração pública, e não pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).


“Temos tido muitas denúncias, queixas e apelos, porque transmitimos aquilo que é o ponto de situação institucional, mas depois recebemos os relatos das pessoas que estão a passar sérias dificuldades porque estão há meses sem salário, à espera”

— Sofia Lisboa, ABIC

Segundo a representante, este processo “foi mal concebido e gerido desde o início” e veio agravar a precariedade de muitos investigadores. Sofia Lisboa aponta a um aumento de pressão sobre as instituições que possuem limitações de recursos humanos e tiveram de lidar com um processo “altamente burocrático”.

Para a associação, a contratualização com as instituições “é positiva” por permitir um sistema mais profissional para os investigadores, porém, alerta que esta é “uma situação que não vai ficar resolvida de hoje para amanhã” e que a ABIC quer continuar a pressionar para que estas situações estejam resolvidas.

A representante da associação sublinha que o foco do Governo e da FCT deve ser a proteção de quem trabalha na ciência. “São os bolseiros que estão a ser os únicos prejudicados e, portanto, têm de ser eles o elemento de preocupação de quem governa, neste caso o Governo, mas também de quem dirige as instituições e, nesse caso, a FCT”, remata.

A RUM entrou em contacto com o gabinete de comunicação da FCT sobre as denúncias, sem resposta até ao momento.

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Marcelo Hermsdorf
Marcelo Hermsdorf

Jornalista na RUM

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