Luta pelo centro: Seguro e Ventura vão procurar votos da AD

José Palmeira, investigador da UMinho, acredita que, mesmo que perca a segunda volta, Ventura vai “potencializar a sua força parlamentar”.
Declarações de José Palmeira

O professor de Ciência Política da Universidade do Minho, José Palmeira, acredita que tanto Seguro, como Ventura vão tentar conquistar votos ao centro, na segunda volta das eleições Presidenciais.

António José Seguro venceu a primeira volta, mas os 31% de votos alcançados não foram suficientes para evitar uma segunda volta das eleições, onde estará também André Ventura, que ontem conquistou 23% do eleitorado.

“Todas as sondagens que colocavam um cenário de segunda volta com André Ventura, ele saía derrotado, mas uma eleição é sempre uma eleição e há sempre um conjunto de incertezas”, apontou o investigador da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política.

O politólogo acredita que, precisamente devido às sondagens, “o oponente ideal para Seguro, na segunda volta, é Ventura” e “para Ventura o candidato ideal é António José Seguro, porque lhe permite fazer uma bipolarização esquerda-direita e, existindo uma maioria sociológica de direita no país, pelo menos neste momento, André Ventura vai tentar jogar com isso”. “Acontece que essa maioria sociológica não é necessariamente da extrema-direita, que é o campo de onde vem Ventura, o que significa que vamos ter uma eleição onde os dois candidatos vão procurar pescar votos no tradicional eleitorado da AD, no centro, porque é no centro que a vitória poderá ser alcançada”, afirmou.

José Palmeira acredita que o candidato apoiado pelo Chega vai “moderar-se, para procurar cativar os eleitores do centro”, mas também tentará bipolarizar o discurso, dizendo que é o candidato da direita, por um lado, mas também o candidato antissocialismo”, para atrair “o eleitorado da IL, que é um eleitorado mais ideológico”.

Questão geracional, Cotrim e Gouveia e Melo poderão ter prejudicado Marques Mendes

“A direita moderada saiu derrotada desta primeira volta das eleições, em grande medida devido à dispersão de votos por vários candidatos, designadamente três, e, nesse sentido, neste momento, as opções que se colocam são apoiar António José Seguro, que é aquilo que alguns dirigentes do PSD já estão a fazer”, apontou o docente. Exemplo disso é o antigo presidente da Câmara de Braga, o social democrata Ricardo Rio, que tornou pública a sua posição.

Luís Montenegro afirmou ontem que o PSD não manifestará apoio a nenhum dos candidatos na segunda volta. Para Palmeira, esta é uma posição tática ou estratégica, de quem está numa posição minoritária no Parlamento e “depende quer do PS, quer do Chega para aprovar legislação”.

Para o politólogo, “a figura da noite foi, sem dúvida, António José Seguro”, desde logo porque “não tendo à partida a simpatia de muitos militantes socialistas, nem recolhendo o apoio à esquerda do Partido Socialista, que o consideravam muito moderado, ele conseguiu mobilizar o eleitorado de esquerda de uma forma muito significativa e, eventualmente, também até penetrou no eleitorado da Aliança Democrática”. Por outro lado, André Ventura “conseguiu, entre os candidatos de direita, chegar à segunda volta e ficar à frente dos outros”, merecendo por isso destaque.

Luís Marques Mendes acabou atrás de João Cotrim de Figueiredo e para isso pode ter contribuído “a questão geracional”, perante candidatos como “Cotrim de Figueiredo, que exibiu uma grande jovialidade e, além do mais, penetrou muito mais facilmente no eleitorado mais jovem”. “Já o eleitorado mais velho que poderia, eventualmente, ser seduzido pelo voto em Marques Mendes, teve um concorrente muito forte em Gouveia e Melo, que também é alguém que entra muito bem nesse eleitorado mais idoso”. Para José Palmeira, “não basta ter notoriedade através do comentário político, como aconteceu anteriormente com o Marcelo Rebelo de Sousa, para, automaticamente, se ter a probabilidade de ser eleito Presidente da República”.


Resultado de Ventura nas Presidenciais vai “potencializar a sua força parlamentar”

Os resultados que André Ventura alcançou nesta primeira volta das Presidenciais mostram que o seu eleitorado “é cada vez mais consistente e está cada vez mais alargado em termos geográficos.

“Ele pode falhar, como tudo indica, a eleição Presidencial, mas o resultado que vai obter vai, depois, potencializar a sua força parlamentar”, disse o professor da EEG, que acredita que “o Chega vai passar a ser muito mais diligente no Parlamento”

Para o Chega, “até pode nem ser mau abrir uma crise política, isto é, apresentar uma moção de censura ao Governo, convencido de que agora poderá até ultrapassar o partido do Governo e ficar à frente até do Partido Socialista”. Esta questão, prossegue José Palmeira, pode colocar “um problema ao Partido Socialista, que depois vai ser confrontado com essa questão: vai ajudar a derrubar o Governo? Será que isso interessa ao PS nesta altura? Ou pelo contrário, vai sustentar o Governo? Mas ao sustentar o Governo cada vez mais se reforça a liderança da oposição de Ventura”.

O politólogo está convicto de que “Ventura vai certamente aproveitar o resultado das Presidenciais em termos legislativos”.

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Liliana Oliveira
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