“A região Norte não quer ser uma peça de xadrez movimentada por decisões centralizadas”

Entre a continuidade e a renovação. A liderança da CCDR-N discute-se entre António Cunha e Álvaro Santos.
Se em várias regiões do país já se sabe quem vai liderar as comissões de desenvolvimento regional, a norte há ainda muitas dúvidas uma vez que são dois os candidatos ao cargo.
António Cunha encontra como adversário Álvaro Santos, apoiado pelo PSD e convidado por Luís Montenegro.
Ambos foram entrevistados pela RUM no programa Campus Verbal. O bracarense António Cunha afirma que se trata de um passo “natural” resultado do profundo conhecimento que foi adquirindo do território regional e a experiência na sua gestão, além do que diz ser uma “cumplicidade desenvolvida com todo o tecido, quer o tecido autárquico, quer o tecido económico produtivo da região, quer o tecido institucional”. Reconhece que nestes últimos anos a comissão de coordenação cresceu com um aumento de 300 para quase mil pessoas e lembra que esta expansão tem garantias de continuar.
“Estou muito confiante [na reeleição], num contexto certamente muito difícil e exigente, mas até agora a perceção que vou tendo da leitura que faço do território é muito positiva”
António Cunha, recandidato à presidência da CCDR-N
“As Comissões de Coordenação vão crescer ainda mais e isso é algo positivo e, portanto, parece-me que faz todo sentido continuar neste processo e, nomeadamente, face àquilo que foram as solicitações e os incentivos que tive de muitos autarcas do território”, explica notando ainda que há espaço para retrocessos depois de “uma liderança que é feita de mérito”.
António Cunha sustenta que “a região não quer ser uma peça de xadrez que é movimentada por decisões que são feitas fora do seu contexto e do seu contexto territorial”. “As decisões das lideranças a norte devem ser feitas a norte e é nesse contexto que eu me candidato. Candidato-me apostando num novo referencial estratégico que resulta do novo período europeu e da programação 2035 e, portanto, com um contexto bastante diferente e ainda mais exigente.
Candidato-me porque há um desafio muito grande de integração de competências nas Comissões de Coordenação e isso requer um conhecimento e uma articulação muito forte”, detalha.
António Cunha alerta ainda para os desafios colocados na execução de diferentes programas, nomeadamente o Norte 2030 e o PRR, mas também as exigências nas zonas de baixa densidade
Por outro lado, temos os desafios da execução polémica dos programas, que é do Norte 2030, que é do PRR, e temos aquilo que é mais importante do que tudo isto, que é aquilo que os próximos tempos exigem, sejam os desafios das zonas de baixa focando aspetos como a tecnologia e a industrialização.
O seu opositor, Álvaro Santos, aponta-lhe várias críticas, inclusivamente no que respeita ao desempenho na execução de diferentes programas. António Cunha diz que se trata de um trabalho que estará sempre incompleto por força da sua complexidade e dinamismos, mas acrescenta que o norte deve ficar “contente” com a evolução registada nestes últimos anos.
“Nos últimos cinco anos o Norte evoluiu muito. Nós cumprimos e superamos as metas de execução, quer do Norte 2020, quer do Norte 2030, fomos o programa regional com maior grau de superação da meta de execução em 2025, portanto o programa regional com resultados mais conseguidos e mais efetivos”, lembra.
Refere ainda que a CCDR-N durante este mandato apresentou-se como “uma voz forte em causas decisivas”.
“Do ponto de vista mais macro, de facto a região Norte evoluiu e cresceu, fomos uma das regiões com maior convergência face à União Europeia, atingimos 70,8% do PIB per capita da Comissão da União Europeia, não é uma meta que nos deixa totalmente satisfeitos, porque queremos sempre mais, mas somos uma das regiões que crescemos mais e deixamos de ter aquele estigma que tínhamos há 18 anos de ser a região com PIB per capita mais baixo do continente”, continuou.
António Cunha aponta à excelência na inovação com registos de aproveitamento das potencialidades da região a diferentes níveis.
Entre os desafios da região norte, o atual presidente da CCDR-N menciona a necessidade de criação de polos de atratividade nas regiões de baixa densidade populacional, algo que só será possível com oferta de emprego atrativa.
As mais-valias de uma candidatura independente, sem militância partidária. Ainda que salvaguarde o respeito pelos partidos políticos, o antigo reitor da Universidade do Minho considera que o percurso profissional, académico e de gestor público, fui sempre mantendo uma posição independente pode apresentar-se como “uma vantagem para este exercício de articulação”.
Álvaro Santos acusa a liderança de António Cunha de ter deixado desaparecer a caraterística de centro de planeamento estratégico que no passado era reconhecida à CCDR-N. O atual presidente refuta a crítica. Garante que “o planeamento existe e só quem não o quer ver é que o pode negligenciar”.
Mensagem de António Cunha
“Precisamos continuar a trabalhar juntos a construir um futuro, um futuro que é uma oportunidade para o Norte, um futuro para o qual estamos melhores preparados, pelo nível de habilitações que hoje a nossa população tem, pela capacidade tecnológica e de inovação que hoje temos e que já penetra em vários territórios do interior, algo que há 5 anos não acontecia, portanto importa tirar partido de todo este potencial e sabermos gerir uma região de um modo integrado, com uma aposta clara naquilo que tem de ser o grande desafio da região, que é a geração de valor, a geração de mais riqueza e a retenção de riqueza no território”.
Também numa grande entrevista à RUM, Álvaro Santos, candidato à liderança da CCDR-N defendeu que a estrutura precisa de uma liderança “com visão estratégica, rigor na gestão e proximidade”.
