ABIC diz que extinção da FCT “parece ser uma redução orçamental” 

Associação dos Bolseiros de Investigação Científica diz que a renovação para atingir maior eficiência é "uma narrativa enganadora”.

A Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) acredita que o anúncio da reforma do Ministério da Educação, Ciência e Inovação como um simples processo de otimização é “desonesto e preocupante”. Sem auscultação do setor e apenas com esclarecimentos dados à comunicação social, a extinção de instituições, como a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), “parece ser uma redução orçamental”, disse à RUM Sofia Lisboa.

A presidente da ABIC explica que esta decisão foi tomada “sem qualquer tipo de discussão no setor”, apanhando todos de “surpresa”.

Para além da falta de auscultação pública, a dirigente acredita que esta renovação com o fim de atingir uma maior eficiência é “uma narrativa enganadora”, uma vez que a investigação é um setor que “continua cronicamente subfinanciado”. Sofia Lisboa acredita que existem críticas “efetivas” a serem feitas à FCT, mas neste caso, a reforma do ministério, e a extinção de certas organizações faz parecer que isto “é uma redução orçamental”, insiste.

Uma decisão política que mistura o que não deve ser misturado

Ainda que o ministro Fernando Alexandre tenha afirmado que não está em vista uma redução de financiamentos, para a dirigente esta extinção de instituições, à semelhança de outras feitas no passado, evidenciam um “outro tipo de prioridades” que não acabar com a precariedade no setor e a resolução de limitações aos financiamentos, numa altura em que 90% dos trabalhadores do setor estão com vínculos precários.

Uma das maiores preocupações da ABIC, e aquela que terá efeitos a longo prazo, é a fusão da FCT com a Agência Nacional de Inovação, situação que a dirigente apelida de “política de fundo que mistura aquilo que não deve ser misturado”.

No entender da associação, a nova Agência para a Investigação e Inovação, cujo mote é “aumentar as oportunidades para gerar valor”, cria a ideia “de que a inovação passa a ter primazia face à ciência fundamental e a investigação livre”. Neste sentido, “ter as empresas cada vez mais a definir aquilo que são vias de investigação para servir os seus produtos e serviços não nos parece adequado”, acrescenta a dirigente.

Sobre os processos de financiamento em curso, Sofia Lisboa acredita que “à partida,[estas reformas] não têm efeitos imediatos”, uma vez que, entretanto, já foram publicados resultados de concursos às bolsas de doutoramento.

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José Silva Brás
José Silva Brás

Jornalista na RUM

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