CRUP mais “aberto à sociedade” e focado na “valorização do ensino superior”

Paulo Jorge Ferreira conseguiu 11 dos 16 votos do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) frente ao reitor da Universidade do Minho, Rui Vieira de Castro.

Um Conselho de Reitores “aberto à sociedade” e focado na “valorização do ensino superior”. Esta será a linha orientadora do novo presidente do CRUP, Paulo Jorge Ferreira. A eleição decorreu na reitoria da Universidade do Minho, em Braga, esta terça-feira. Paulo Jorge Ferreira sucede assim a António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto.


O reitor da Universidade de Aveiro conseguiu 11 votos, enquanto a candidatura do responsável máximo da UMinho, Rui Vieira de Castro, apenas recolheu 5 votos.

A “abertura à sociedade” será um dos vetores que irá pautar a presidência de Paulo Jorge Ferreira que pretende alargar as questões relacionados com o ensino superior à sociedade de uma forma “publicamente mais obvia”.

O envelhecimento populacional é uma das preocupações do novo presidente do CRUP. Situação que teme possa vir a contribuir para a “desvalorização do ensino superior”.

“Temos cada vez menos jovens, o que significa que cada um dos jovens que temos é precioso. O CRUP pode ir ao encontro desse problema com propostas e pensamentos para o futuro de maneira a termos uma sociedade mais bem equipada para lidar com estas situações desafiantes”, declara.

De acordo com o Jornal Público, a principal divergência das duas candidaturas estaria relacionada com a visão sobre o novo modelo de financiamento das instituições de ensino superior para 2024. A nova fórmula prevê que 70% da verba dependa do número de estudantes inscritos em cada instituição de ensino superior. Os restantes 30% são destinados a corrigir as divergências entre o valor da dotação do Estado recebido por algumas instituições e aquilo a que teriam direito se a fórmula anterior tivesse sido aplicada, devido ao crescimento conseguido nos últimos anos.

Questionado pela RUM, o novo presidente do CRUP recusa “divergências a esse nível”, visto que o subfinanciamento do ensino superior em Portugal é indiscutível.

“Segundo números do Ministério (da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) entre a média da OCDE e a média do Ensino Superior em Portugal, faltam 6 mil dólares por estudante em paridade de poder de compra. O que dá, fazendo as contas aos 225 mil estudantes das universidades públicas segundo números do Ministério para o orçamento de 2024, um défice de 1,2 mil milhões de dólares”, alerta.

Para Paulo Jorge Ferreira o facto de terem existido, uma vez mais, duas propostas para a liderança do CRUP é algo positivo, caso contrário o debate seria menos “enriquecedor”.

A crise política instalada em Portugal colocou em stand-by dossiês como os estatutos dos investigadores. Paulo Jorge Ferreira promete estar atento, de modo a aproveitar as oportunidades que irão surgir.

O novo presidente do CRUP recorda o contributo das apelidadas novas universidades, são elas: Aveiro, Évora, Minho e Nova de Lisboa, que ao longo dos últimos 50 anos têm contribuído para a “transformação nacional”. Agora, é premente pensar “o que podem fazer para o futuro”.

Paulo Jorge Ferreira tem 61 anos. É professor catedrático e doutorado em Engenharia Eletrotécnica. Desde 2019 que dirige os destinos da Universidade de Aveiro. Foi reeleito no ano passado e tem mandato até 2026.

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Vanessa Batista
Vanessa Batista

Jornalista na RUM

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Abel Duarte
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