Casa das Artes de Famalicão acolhe peça sobre “a importância da democracia e a urgência da igualdade”

‘Anónimo não é nome de mulher’ estreia esta quinta-feira, às 21h30, na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.

‘Anónimo não é nome de mulher’ é o título da peça que explora a opressão sobre as mulheres, partindo de factos passados em hospícios reais, onde foram encarceradas dezenas de milhares de pessoas.

“É sobre o que é ser mulher ao longo da história, o que foi ser mulher nos séculos XIX e XX e o que é ser mulher hoje. Toca em temas como as relações humanas, a maternidade, os dilemas perante situações limite, sobre o que é ser livre. É uma peça sobre a importância da democracia, a importância da liberdade e a urgência da igualdade“, esclarece Mariana Correia Pinto, autora do texto.

A peça nasceu do encontro de Luísa Pinto, uma das intérpretes e diretora artística da companhia Narrativaensaio-AC, com os livros ‘Malacarne: Mulheres e manicómios na Itália fascista’ da italiana Annacarla Valeriano e ‘Holocausto Brasileiro’ da brasileira Daniela Arbex. “Livros que retratam aquilo que acontecia nos hospícios, onde mulheres eram encarceradas por serem consideradas loucas. Mulheres que fugiam à imagem de uma mulher ideal do regime e que por isso eram consideradas inadequadas na sociedade”, explica.

 

As razões para serem enviadas para hospícios eram diversas, “desde mulheres que não conseguiam engravidar e por isso eram consideradas com defeito, a mulheres que liam na via pública, a mulheres cujos maridos tinham amantes, a prostitutas, a sem-abrigo, a pobres e filhas mais rebeldes”. “Tudo o que não interessava ao regime era enviado para o hospício”, salienta.

 

Ao aprofundar o conhecimento sobre este tema, Mariana Correia Pinto constatou que “a igualdade entre homens e mulheres continua a ser uma promessa”“A dada altura pareceu-me que a realidade dos séculos XIX e XX estava também presente nos dias de hoje, que há ainda alguns resquícios, alguns ecos desta opressão às mulheres. Continuamos a partir atrás da meta”, aponta. 

Segundo a autora, a atualidade mundial, “onde os regimes opressores, populistas e de extrema direita estão a crescer de uma forma assustadora”, teve também impacto na vontade de escrever e levar para cena a peça. 

No palco, Luísa Pinto e Maria Quintelas interpretam um conjunto de diferentes personagens. “Em cena estão sete personagens, sete mulheres, seis delas estão enredadas num espaço temporal, num tempo no passado, e uma conta a história no nosso tempo”, avança o encenador, António Durães, acrescentando que em cena há uma terceira pessoa, Cristina Bacelar, que acompanha o enredo com a música.

A peça estreia esta quinta-feira, às 21h30, na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão onde vai estar em cena até sábado, seguindo depois para São Paulo, no Brasil.

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Catarina Martins
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