Cidadão exige fim de passagens aéreas em Braga. Autarquia garante querer “corrigir” flagelo

Pedro Pinheiro Augusto diz que há excesso de passagens desniveladas, inadequadas para pessoas com deficiência. Autarquia promete melhorar a mobilidade pedonal na cidade mas alerta que o processo demora tempo.

Um cidadão bracarense exige o fim das passagens aéreas para peões nas principais avenidas da cidade, alegando que são inadequadas para as pessoas com mobilidade reduzida.

Pedro Pinheiro Augusto acusa a autarquia de incumprir a lei, por não oferecer “alternativas” em 19 passagens áreas na cidade que identifica como sendo violações flagrantes” da Lei das Acessibilidades.

À RUM, o cidadão diz que “é impraticável ter este tipo de passagens para atravessar a rua”, propondo a instalação de “passadeiras e semáforos” em avenidas como a João Paulo II ou a Júlio Fragata, lamentando ainda que o excesso de velocidade praticado nas referidas estradas contribua para o registo de mais de 2500 atropelamentos em Braga, no período entre 2000 e 2019.

“Esses atropelamentos são na via pública, que é responsabilidade da Câmara de Braga. As coisas não estão legais, não servem a cidade, e pretendo que haja finalmente um reconhecimento dos erros”, acusa Pedro Pinheiro Augusto.

O cidadão já expôs o caso, em 2018, à Inspeção-Geral das Finanças, e, em janeiro de 2020, à Procuradoria-Geral da República. Em ambos os processos, o município defendeu que as passagens em causa podiam ser removidas, mas apenas com recurso a projetos de grande escala, financiados através de fundos comunitários.

Segundo alega Pedro Pinheiro Augusto, a justificação é “falsa”, assinalando que a Câmara de Braga “cancelou” os projetos de requalificação pedonal previstos para a avenida João Paulo II, Liberdade e 31 de Janeiro.

Ricardo Rio admite problema mas diz que é “impossível” instalar passadeiras “de um momento para o outro”

Na resposta à denúncia do cidadão, o presidente da autarquia, Ricardo Rio, reconhece à RUM que “há o objetivo, tão cedo quanto possível, de remover todas as passagens aéreas” mas alerta que “o caminho é lento” para “remendar e corrigir” o flagelo que foi “herdado” pelo atual executivo.

O autarca sinaliza que a remoção das passagens “tem um custo significativo” e que “é impossível, de um momento para o outro, instalar uma passadeira ou um semáforo numa via dessas” porque o processo causaria “um caos no trânsito rodoviário” e colocaria “os próprios peões em risco”.

Sobre a acusação de Pedro Pinheiro Augusto quanto à ilegalidade das passagens, Ricardo Rio desmente a ideia, apresentando um despacho do Ministério Público, de novembro de 2020, referente ao processo colocado pelo cidadão contra o município na Procuradoria-Geral da República.

Segundo o documento, ao qual a RUM teve acesso, o Ministério Público defende que “não comunga a ideia de que o processo seja de fácil resolução” perante “a dificuldade em oferecer soluções alternativas de qualidade comparativamente com o desempenho do automóvel em termos de resposta pronta e acelerada exigida nos dias de hoje”.

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Pedro Magalhães
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