50 anos de Informática na UMinho. Da primeira mensagem de e-mail à revolução da Inteligência Artificial e computação quântica

A UMinho assinala 50 anos de ensino da Informática. Ao UMinho I&D, Luís Soares Barbosa abordou os marcos históricos e o futuro da área.
Luís Soares Barbosa em entrevista ao UMinho I&D:

A Universidade do Minho celebra meio século de ensino regular da Informática, uma trajetória de pioneirismo que ajudou a fundar e a transformar o panorama tecnológico em Portugal. Para assinalar o cinquentenário que arrancou no ano letivo de 1976-77 com o curso de Engenharia de Produção – Ramo Sistemas, o professor catedrático e diretor do Departamento de Informática, Luís Soares Barbosa, recordou no programa UMinho I&D a visão que permitiu o envio do primeiro e-mail no país e a organização da primeira conferência nacional sobre a World Wide Web e projetou, ainda, os desafios críticos das próximas décadas, sublinhando que o talento humano será mais decisivo do que nunca perante a expansão da Inteligência Artificial e a promessa da fronteira quântica.


O Rigor Científico na Base da Informática

Longe de ser vista apenas como uma tecnologia supletiva para apoiar a indústria têxtil ou metalomecânica da região nos anos 70, a Informática na UMinho assumiu-se como um domínio de saber científico e autónomo. Com uma visão marcadamente matemática, a academia minhota colocou a fiabilidade na base do seu ensino, defendendo que a engenharia informática exige o mesmo nível de prova de correção e escrutínio que a construção de uma ponte.

Hoje, a Escola de Engenharia atrai gerações de estudantes frequentemente fascinados pelos novos equipamentos e tecnologias. Luís Soares Barbosa reconhece que esse entusiasmo inicial é natural e positivo, lembrando que, na sua própria época de estudante, a atração também passava pelos famosos computadores Spectrum, mas deixa um alerta claro aos novos alunos. Socorrendo-se de um célebre aforismo de Edsger Dijkstra que avisa que “computer science is no more about computers than astronomy is about telescopes“, o diretor do departamento sublinha que “é muito importante que percebam que a informática não é tecnologia”. A área vai muito além do “estudo das máquinas”, tratando-se de uma ciência profunda focada em gerir e verificar a complexidade dos sistemas de que a nossa vida depende.

O professor e investigador alerta os novos alunos para a verdadeira essência e amplitude da Informática

Inteligência Artificial: Aliada, Não Substituta

Nos últimos anos, a explosão da Inteligência Artificial (IA) tem dominado o debate público, gerando receios sobre a eventual substituição de profissionais informáticos. Como diretor do Departamento de Informátican Luís Soares Barbosa rejeita as visões alarmistas.

A desmistificação do impacto da IA e a importância crescente da verificação humana

Na sua perspetiva, a automatização de código vai, na verdade, valorizar e elevar as competências de conceção e verificação que definem a singularidade dos humanos.

“À medida que se automatizam determinadas partes do nosso desenvolvimento, a tarefa de concessão, a tarefa de verificação, de prova de correção, que é tipicamente humana, de entidades conscientes, que a Inteligência Artificial, pelo menos agora, ainda não é, tem uma importância acrescida.”


Entre os Algoritmos e a Poesia: A Visão Humanista

O perfil de Luís Soares Barbosa estende-se muito para lá das ciências exatas. O seu papel como diretor-adjunto da Unidade de Governação Eletrónica da Universidade das Nações Unidas (UNU-EGO), sediada em Guimarães, atesta o foco na dimensão social e global da tecnologia. Contudo, há um traço literário que distingue a sua forma de interpretar o mundo: a publicação de livros de poesia.

Sobrinho da conceituada escritora Maria Ondina Braga, com quem conviveu na infância, o catedrático reconhece que essa forte ligação familiar terá despertado a sua veia poética. Embora assuma ter interesses muito diversificados e encare a ciência e a literatura como áreas distintas, admite que ambas acabam por conviver. Para o professor, a poesia surge hoje como uma “fulguração”, algo intrínseco e “não explicável”. Para ilustrar esta dualidade, o investigador socorre-se de um pensamento do autor Ángel Badante, que defendia que “o poema não explica, mas ilumina”. Trata-se de um contraste perfeito para quem, nas suas próprias palavras, passa a vida “a explicar” na sua zona mais formal e científica, encontrando na escrita e na leitura de poesia o espaço de liberdade onde se vai “iluminando”.

A entrevista completa de Luís Soares Barbosa ao UMinho I&D está disponível na íntegra em podcast.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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